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Ana Bracarense - 12/12/2016

Acordei PCD, e agora?

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Às pessoas já adolescentes/adultas, que sofrem acidentes ou descobrem doenças e que até por causa dessas(es) acidentes/doenças façam com que as mesmas percam mobilidade de membros - inferiores ou superiores - surje a pergunta: “como ser, como agir, como lidar com a situação e de quem tem que vir o primeiro passo para a reabilitação?”.

Eu mesma sofri um acidente, mas tinha somente 1 ano e 4 meses. Então já cresci adaptando-me a tudo e a todos. Mas não me deixei abater por isso. Graduei-me duas vezes: Matemática e Administração de Empresas. Fiz Pós-graduação em Logística e hoje possuo minha empresa de consultoria sobre vagas para deficientes.

Não é fácil pra ninguém, ao que perdeu a mobilidade recentemente e à família, porém a primeira pessoa a aceitar essa mudança repentina de vida é a própria pessoa que ontem era “normal” e hoje virou PCD.

Quem não se lembra de Ayrton Senna que sofreu um grave e terrível acidente, vindo a falecer no dia 1º de maio de 1994 (e se tivesse sobrevivido ficaria com sequelas, pois foi atingido na cabeça); de Gerson Brenner que em 1998, durante uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro, foi vítima de uma armadilha criminosa ao parar seu carro perto do acesso 60 da Rodovia Ayrton Senna, para trocar o pneu, tendo sido baleado na cabeça ao ser atacado por bandidos que queriam subtrair o veículo. Em razão do acidente, passou meses em coma e sofreu diversas sequelas, tais como distúrbios na fala, na motricidade e na capacidade cognitiva. Confinado a uma cadeira de rodas, atualmente ainda está em tratamento para se recuperar; e também de Michael Schumacher que no dia 29 de dezembro de 2013 envolveu-se num grave acidente enquanto esquiava na estação de Meribel, nos Alpes Franceses. O ex-piloto bateu a cabeça numa pedra e entrou em coma. E o caso mais recente: delegação da Chapecoense, todos felizes, viajando de avião para Medellín (sua primeira participação em Campeonato Internacional) com 81 pessoas a bordo sendo 76 mortos e 5 resgatados com vida, sendo que um dos sobreviventes amputou uma das pernas.

Como lidar diante dessa situação, como o próprio jogador ou a pessoa que virou PCD tem que reagir num momento de dor, sofrimento e tristeza? Será que esses sobreviventes terão cabeça agora para pensar numa reabilitação? Será que a família está estruturada para apoiar e incentivar a não desistir de lutar, principalmente pela vida? Todas as pessoas que estarão ao redor da PCD terão uma estrutura emocional para incentivar a viver e a lutar para retomar a vida?

Bom, isso dependerá não somente da pessoa que se tornou PCD e sim das pessoas ao seu redor (familiares, pais, filhos, amigos), pois todos poderão fazer a PCD refletir e ver que o mundo não acabou completamente.

E quantas pessoas anônimas também já não sofreram e viraram PCDs que desconhecemos?

Quero deixar aqui minha solidariedade e meu apoio a todas as pessoas que se tornaram PCDs.

E para finalizar deixo uma frase de reflexão: “Não ignore PCDs, não desmotive PCDs, pois hoje você pode estar normal, mas amanhã a PCD pode ser você”.

Ana Bracarense PCD
www.anabracarense.com.br

 




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