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Dom Paulo Mendes Peixoto - 19/11/2016

Justia, amor e paz

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São três palavras desafiantes, mas essenciais para construir o reinado querido por Deus. O bom rei é aquele que consegue praticar a justiça, amar sem distinção, sendo justo com todas as pessoas e, com isto, construir uma paz verdadeira e duradoura. Jesus Cristo é chamado de Rei do universo, mas com atitudes que se distanciam do formato praticado pelos reis dos diversos povos.

No entender da “Bíblia”, Davi foi um grande rei, modelo para os reis de seu tempo, porque conseguiu construir a paz no meio do povo de Deus. Teve uma administração de consenso, mesmo com limitações próprias de um ser humano. Jesus Cristo foi um novo Davi, porque conseguiu mudar a história com seu tipo de empreendimento, todo ele enraizado na prática da justiça, do amor e da paz.

O reinado de Jesus foi infinitamente diferente, porque a força de tudo vem de seu esvaziamento, despindo-se de todo tipo de poder-exploração, culminando com sua morte na cruz. Foi um reinado de mudanças profundas, conquistando novas formas de se viver a dignidade humana, um reinado de luz para quem vive na escuridão e na falta de visão de uma vida com os princípios cristãos.

No alto da cruz, Jesus recebeu as prerrogativas de Rei, não dos judeus, mas de toda a humanidade, inclusive dos dois criminosos também crucificados de seu lado. Foi um rei diferente e contraditório em relação à visão que reinava naquele tempo. Jesus foi tão profundo em sua opção, que até se tornou causa de muita zombaria por parte daqueles que não aceitavam sua prática de vida.

Quem luta, conscientemente, pela justiça, pelo amor e pela paz é descartado por aqueles que olham para a vida com outras dimensões. A honestidade tem um trono de cruz e de perdão. Os ladrões crucificados não foram condenados pelo Mestre. A um deles disse: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43). O perdão supera as atitudes de discriminação e de condenação.

É difícil entender bem a prática de Jesus, principalmente sua morte na cruz. É uma ação que não cabe nos princípios da cultura moderna, porque foi condenado como um maldito e sem prestígio. A construção da justiça, do amor e da paz, que era e é o seu objetivo, não rende dinheiro. Portanto, não tem valor para o mundo capitalista, que monta sua filosofia enraizada na exploração e na desonestidade. 

(*) Arcebispo de Uberaba




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