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Uberaba, 14 de dezembro de 2018 -

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ARTICULISTAS

O ex-ídolo

O hoje de qualquer homem é o retrato do quanto ele foi fiel às exigências do ontem. Não há quem possa fugir dessa sentença.

Do "garimpeiro de informações", articulista José Loubeh, recebi extensa reportagem feita pelo jornal O Estado de São Paulo. O enfocado é o Sr. Edgar de Almeida Negrão de Lima, ou Bob Lester, músico e dançarino que integrou o Bando da Lua. Esse grupo acompanhou Carmem Miranda, a nossa Pequena Notável, nos palcos dos Estados Unidos da América. Sucesso e mais sucesso!

Bob Lester é homem cheio de histórias, com Oscarito e Grande Otelo, nos áureos tempos do Cassino da Urca, do Quitandinha, do Copacabana Palace e tantas outras casas de shows. O mundo se curvava anti a passagem de Lester, e hoje o mesmo homem vive como um mendigo.

Uma ajuda, um prato de comida ou uma hospedagem; o ex-ídolo sapateador do time de Fred Astaire pede, sem cerimônias. Saiu recentemente das ruas para uma pousada em Taubaté/SP, por obra generosa de alguém.

Bob sempre viveu o hoje, apagou o ontem e nunca viu o futuro. Aos 90 ou 93 anos de idade, sua realidade é amarga. Depois de perder a mãe, a mulher e duas filhas num acidente automobilístico, Lester perdeu também o prumo e vive vida errante.

Sem dispensar o estilo de sonhador, o ídolo dos anos trinta e quarenta enfrenta as praças a céu aberto, toca violão, sapateia e arranca aplausos. Traz vivas na memória as suas participações em musicais de Frank Sinatra e Dóris Day. Um câncer na bexiga e suas conseqüências não tiraram a imaginação de B.L., que, dormindo num "pulgueiro", consegue ver-se num hotel 5 estrelas.

Fantasia ou realidade, o mundo de Bob Lester é recheado de nomes tais como Bob Dylan, Elvis Presley, Roberto Carlos e outros, além de se dizer o descobridor de Elis Regina. Pedindo aqui e ali para sobreviver, aquele ex-ídolo prossegue na sua penosa caminhada.

Há os que jamais ouviram falar de Bob Lester, Bando da Lua e até Carmem Miranda. Os que sabem de quem se trata deverão estar se perguntando: por que, para muitos, os dias finais são tão severos? Não há dias menos ou mais severos. O nosso merecimento é quem delineia por onde vamos passar. Bob Lester não lamenta nem perde a pose. Ele sabe que a vida é plantio e colheita.

 

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