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Dirceu Cardoso Gonalves - 10/11/2016

Trump e as regras de governo

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A eleição de Donald Trump surpreende o mundo e provoca reação no mercado de capitais, o mais sensível dos termômetros de acontecimentos político-sociais ao redor do mundo. O irreverente homem de negócios chega à presidência contra a vontade de expressiva parcela do seu próprio partido, mas com os votos dos trabalhadores que se sentem prejudicados com a globalização. Seu primeiro discurso de eleito é conciliador, o oposto da tresloucada pregação de campanha, onde prometeu fazer um muro na divisa com o México para conter imigrantes, criticou os latinos, inclusive os brasileiros, e ameaçou expulsar os muçulmanos do território estadunidense. Num primeiro momento, sua fala chega a lembrar a declaração do presidente brasileiro que, uma vez eleito, falou “esqueçam o que eu disse”, referindo-se ao seu passado contestador.

Pelo que se observa desde os primeiros instantes da chamada “era Trump”, o futuro presidente é alguém consciente das limitações que a liturgia do cargo impõe ao seu ocupante. Seu discurso agressivo, na verdade, foi apenas o marketing para conquistar o eleitorado descontente e, como o voto do norte-americano é facultativo, a arma para motivar o eleitor a votar. Hillary Clinton, apontada nas pesquisas como a favorita, não conseguiu convencer os seus apoiadores a comparecerem às urnas.

Diferente dos países latino-americanos e de outras áreas “em desenvolvimento”, os EUA têm regras fixas de governança. Nem as tragédias lá registradas foram capazes de desviar o país do estabelecido na Constituição, que data de mais de 200 anos. Por mais irresponsável que possa parecer, segundo as amostras deixadas por sua campanha, o novo presidente não conseguirá fazer nada além do trivial. Não será capaz de, sozinho, lançar o país em aventuras,  estabelecer sistemas criminosos ou antissociais como os vistos em outros pontos do mundo (inclusive no Brasil) e dificilmente terá como cumprir os exageros prometidos em campanha.

Na verdade, o que ocorreu na campanha foi a exclusiva aplicação do marketing agressivo para a busca dos votos. A partir do primeiro discurso do eleito, começam as desculpas porque, naquele país, a burocracia tem regras próprias e o Legislativo e o Judiciário são poderes efetivos e jamais permitirão que um trapalhão faça do Executivo seu brinquedo pessoal ou arma de instabilidade, corrupção ou xenofobia. A brincadeira – pelo que tudo indica – acabou...  

(*) Tenente; dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 
cardosodirceu34@gmail.com




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