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Dom Paulo Mendes Peixoto - 01/10/2016

F e fidelidade

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Fé em Deus, mas fé também nas pessoas. Em tempo de eleições municipais, só podemos acreditar num candidato se ele apresenta fidelidade nas atitudes normais na sua vida. Fidelidade no que diz, no que pensa e no que faz. Diz a Sagrada Escritura assim: “Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes” (Lc 16,10).

A fé é adesão firme em Deus, porque Ele é fiel. Acreditar no outro supõe que ele também seja fiel. Nisso está a identidade do voto, da confiança depositada no candidato que a gente escolhe. Ele não pode ser incoerente e irresponsável na administração que ora está assumindo. A prática que temos visto, nos últimos tempos, não tem sido essa da parte de muitas das nossas lideranças políticas.

Não podemos permitir que o direito e as pessoas justas sejam pisados pelas lideranças inescrupulosas. Na seara dos políticos encontramos candidatos honestos e preocupados com o bem popular e vão trabalhar para isso. Mas também sabemos dos carreiristas e despreparados para uma função pública de responsabilidade. Não é fácil fazer um verdadeiro discernimento na hora da escolha!

Os brasileiros não estão muito confiantes na ação política. Os vexames que aparecem levam a um total descrédito, a ponto de dizer que um novo Brasil é impossível de acontecer. Na verdade, falta fé, porque falta fidelidade da parte daqueles que deveriam ser modelos de coerência. Muitos eleitores preferiam não votar em ninguém, porque são muitas as decepções no mundo político.

Um administrador autêntico faz aquilo que deveria fazer, não atribuindo a si mesmo o mérito do que fez, porque faz parte do seu ofício. É normal a aplicação correta dos orçamentos previstos. Anormal seria desviar a finalidade orçamentária para privilegiar determinados grupos ou interesses particulares. É por isso que a lei de responsabilidade fiscal precisa ser colocada em prática.

Ser mesmo fiel à fé cristã significa criar espírito de serviço ao próximo, de disponibilidade na execução dos bens da natureza, privilegiando mais a coisa pública do que vantagens pessoais. Nunca achar que está fazendo demais para os outros. Essas dicas são fundamentais para quem investe na ação política, colocando sua vida a serviço de um povo ou de uma comunidade. 

(*) Arcebispo de Uberaba




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