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Danilo Lima - 29/09/2016

Terapia de elevador

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Pedi para mudar o horário das minhas sessões de terapia meses atrás. Consegui finalmente. O meu terapeuta tem agenda lotada, se perder a hora, só no outro mês. Sempre que a secretária dele me diz isso, brinco que vivemos numa sociedade de psicopatas bem comportados. Marquei para as 7h porque depois quero ir à academia. Ando tentando uma fase “mente e corpo”.

Acordei atrasada. Aperto G. Moro em prédios desde pequena, mas não consigo me relacionar normalmente com “elevadores”, são máquinas “apavorantes”. E aquele “baculejo” ponte aérea “sp-Kabul”? Eu o suporto por morar no nono andar e estar acima do peso.

Neste dia ele resolveu “enguiçar” comigo. Minha amiga já havia me contado que ano passado, ela e a mãe passaram parte do Réveillon “enjauladas”, pedidos e sete pulinhos de dentro do elevador.  Ele simplesmente parou, travando portas e minha garganta. Emudeci por longos minutos. Pensei em ligar para a Carla, minha vizinha. Mas ela havia viajado, há pouco. Não tem jeito, vou ligar para a síndica. Mas ela me odeia, eu tenho certeza disso.

A última vez que a encontrei foi no elevador, domingo passado. Ela deu mais atenção ao chow-chow do que às minhas reclamações de brinquedos espalhados na garagem. Mas bem que ela mereceria uma ligação de reclamação a estas horas da “madruga”. Minhas mãos tremem ao mesmo tempo em que meu celular vibra:

- Alô?

- Virgínia, você está atrasada.

- Doutor, estou presa no elevador!

- Como assim “presa no elevador”?

- É doutor, P-R-E-S-A  no elevador, desesperadamente presa.

- Calma Virgínia, respira fundo. Inspira... respira.

- Doutor, eu já estou há tanto tempo presa  que se eu respirar muito o ar vai acabar e vou morrer asfixiada aqui.

- Não seja dramática, aperte o botão de segurança e logo chega o porteiro. Você está muito nervosa. Acalme-se. Volte a respirar.

- Nervosa, eu, doutor? Eu ando como uma “budista-franciscana” estes últimos tempos. Sábado na fila do caixa do supermercado eu discuti com uma moça.

- Como assim Virgínia, discutiu?

- É, doutor! Supermercado lotado, caixas do nível INSS de atendimento e a “engraçadinha” parou todo o caixa para poder comprar mais produtos nas gôndolas. Ficamos aguardando parados na fila, esperando o retorno da princesa “Kate Middleton do Atacadão”. Eu falei com ela.

- Falou o que Virgínia?

- Falei que ela não era cidadã, que não podia viver em sociedade. Ela me chamou de barraqueira! Agora olha pra mim, vê se alguém pode me chamar de barraqueira, doutor? Era eu que queria transformar o supermercado num ringue de UFC? Ela se sentia o Anderson Silva com 250 ml de silicone. Era algo do tipo “coxinha x petralhas” “live” do supermercado. Corinthians x Palmeiras, o dérbi direto do atacadista. Ela saiu pisando duro, mas pelo menos exigiu a nota fiscal. Vê se pode isso, doutor?

- Alô, doutor? Será que caiu?

- Oi, Virgínia, enquanto você falava eu fazia algumas anotações. E resolvi que vamos, realmente, aumentar a dose para 200 mg e serão duas sessões por semana nestes próximos meses. Discutiremos isso. A Vera, minha secretária, conseguiu um “encaixe” para você . Te espero na quinta, às 7h, ok? 




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