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Dom Paulo Mendes Peixoto - 17/09/2016

O consumismo

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Sem precisar de muita reflexão pode-se deparar com uma sociedade marcada pelo mau uso das riquezas que ela tem. Vê-se o esbanjamento como uma realidade insaciável, que tomou conta da vida de muita gente. O tom de tudo isso está na febre que as pessoas têm pelas compras que fazem, sem reais necessidades, provocadas pela insistência das mídias canalizadas para esse fim.

A sociedade em todos os tempos foi desigual, tendo, de um lado, a concentração de bens materiais, e de outro, o cinturão da pobreza, dos marginalizados e excluídos. A questão não é ser pobre, porque o Mestre já havia dito: “Os pobres sempre tendes convosco” (Mt 26,11). E que bom se todos fossem pobres, vivendo com dignidade! O problema são os empobrecidos pela cultura que mata.

O inaceitável é a falta de justiça e de misericórdia, afronta ao que Deus espera, como atitude, do coração humano. O que se vê é o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. É uma realidade que passa a ser ameaça para o juízo do Criador. As consequências disso são desastrosas porque todos nós temos que conviver com uma situação de insegurança provocada pela violência.

Por traz de tudo está a desonestidade na administração dos bens da criação. Deparamos sempre com maus administradores, com autoridades inescrupulosas e com uma prática de impunidade que causa situações totalmente desumanas. Os escândalos públicos são gritantes e falam mais alto do que o bem praticado, que tem como assento os princípios da Palavra de Deus.

Pelos comentários que a mídia tem apresentado, as práticas fraudulentas perpassam por todas as camadas da administração das coisas públicas. Há, quase sempre, uma pinçada de esperteza e de favoritismo, que favorece o bem próprio, ou de grupo, ou de família. São práticas imorais que se identificam com os “filhos das trevas” no dizer de Jesus, de espertos, mais do que os “filhos da luz” (Lc 16,8).

O profeta Amós não mede palavras para criticar aqueles que compram os pobres com dinheiro (cf. Am 8,4-7). É temeroso ter duplicidade na administração, querendo servir a Deus e ao dinheiro. É possível realizar as duas coisas quando não domina a avareza, mas sim a generosidade, a capacidade de servir aos mais necessitados. Os lucros não podem ser atos egoístas, mas capacidade para o bem. 

(*) Arcebispo de Uberaba




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