JM Online

Jornal da Manhã 46 anos

Uberaba, 15 de novembro de 2018 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

ARTICULISTAS

Validade das riquezas

Primeiro, temos que entender que tipo de riqueza queremos abordar. Pode ser material...

- Por Dom Paulo Mendes Peixoto Última atualização: 30/07/2016 - 19:00:18.

Primeiro, temos que entender que tipo de riqueza queremos abordar. Pode ser material, espiritual, as virtudes naturais, as adquiridas, as da natureza, e muitas outras. Penso no “ser rico para Deus”. O Evangelho fala que “onde está teu tesouro aí estará teu coração”, mas é uma riqueza que passa e não proporciona total felicidade, pois a riqueza deve ser duradoura e para sempre.

A verdadeira riqueza é aquela que dá sentido pleno para a vida. Para muitos, a saúde é uma grande riqueza, muito mais do que ter muitos bens materiais. Para outros, é rico quem tem a presença do amor de Deus, tem fé e confia na providência divina. As riquezas do mundo não conseguem satisfazer plenamente todos os vazios do coração humano, porque não têm a plenitude sobrenatural.

É fundamental ser rico aos olhos de Deus, porque isso significa ter verdadeira vida, que não depende do poder aquisitivo material. Um pobre, em relação ao ter, pode ser mais feliz do que um farto de bens materiais, porque quanto mais tem, mais quer ter e nunca se satisfaz com o que tem. Perdendo a dimensão espiritual do ter, a vida fica vazia de sentido e o coração nunca satisfeito.

Ganhar grande soma na loteria não significa felicidade. Pode ser até motivo de tristeza e de perda da liberdade. Isso pode não constituir valor do Reino, podendo até “desgraçar” a vida da pessoa, tornando-se um rico “insensato com as coisas do alto”. Pode impedir o acúmulo de bens duradouros, porque um coração obscurecido pelo dinheiro impede construir tesouros de vida eterna.

Olhando por outra ótica, a riqueza não constitui um mal em si mesmo. Apenas, quando mal administrada, pode desviar a atenção da pessoa de valores mais pontuais na dinâmica da vida. Uma pessoa rica pode fazer um bem muito grande, principalmente quando coloca sua riqueza a serviço do bem social, partilha criando bancos de emprego para tirar outras pessoas de situações desumanas.

A nossa verdadeira riqueza é Jesus Cristo, escondido na intimidade das pessoas e na prática de seus atos. Ela supera interesses próprios e usa critérios de compreensão da precariedade dos “tesouros” do mundo. O amor é mais forte do que todos os bens materiais, porque é capaz de criar relacionamentos e construir convivência sadia e fraterna entre as pessoas. 

(*) Arcebispo de Uberaba

Leia mais

DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia