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Justiça na Bíblia

Os fundamentos da justiça, que implicam atos de verdade e conformidade das ações das pessoas com a vontade e o querer de Deus...

- Por Dom Paulo Mendes Peixoto Última atualização: 13/03/2016 - 11:44:14.

Os fundamentos da justiça, que implicam atos de verdade e conformidade das ações das pessoas com a vontade e o querer de Deus, estão contidos no Decálogo ou Dez Mandamentos, entregues a Moisés no Monte Sinai. Essas Leis foram dadas porque o povo não conseguia mais ler em seu coração as orientações do Senhor, que eram passadas natural e oralmente de geração para geração.
Na visão bíblica, para aquelas pessoas que realmente se corrigem das faltas cometidas, a misericórdia vai além da prática da justiça. Foi o caso da mulher adúltera do Evangelho (Jo 8,1-11), apresentada a Jesus por um grupo de homens. Ela deveria ser apedrejada conforme as normas do tempo. Mas Jesus disse: “Quem dentre vós não tiver pecado atire a primeira pedra”.
Existe a exigência do cumprimento da Lei, mas isso não impede a autoridade de agir com misericórdia. No caso da mulher adúltera, nenhum foi capaz de atirar pedras e todos foram embora. Então, Jesus disse à mulher: “Eu também não te condeno. Podes ir e, de agora em diante, não peques mais”. A misericórdia supõe mudança, compromisso e prática da justiça.
A justiça dos homens é muito condenatória, diferente da justiça divina, que faz um julgamento de misericórdia. Mas Deus exige mudança de vida, pedindo a pessoa para tomar outro rumo na caminhada e não ficar repetindo situações de injustiça. É a mudança que o mundo, principalmente o Brasil, precisa fazer, porque, sem isso, é impossível pensar na misericórdia divina.
A imagem que temos do Brasil dos últimos tempos é de uma verdadeira confusão. A prática da injustiça está institucionalizada em nosso país, atingindo as diversas camadas da população, provocando sentimento de desespero e revolta em muita gente. Falta sinceridade na ação econômica e na postura política. Basta ver o clima vexatório dos últimos dias no cenário nacional.
É crise econômica, ou crise de injustiça, de descumprimento dos princípios da justiça? Sabemos que nem tudo está perdido, mas necessitamos com urgência de lideranças que sejam realmente bem-intencionadas e comprometidas com a verdade e a justiça. O país é capaz de sair do caos, porque tem potencialidade em todos os campos, mas precisa formar melhor suas lideranças.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

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