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Aristteles Atheniense - 11/02/2016

O VEXAME DE ASSUNO

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O resultado das eleições na Venezuela não induz a certeza de que o governo irá respeitá-lo, inobstante a declaração de Nicolás Maduro assim que conhecidos os primeiros números da votação: “Jogamos limpo, perdemos a batalha, foi uma bofetada para despertar para o que vem”.

Decorridas somente duas semanas do pleito, Maduro questionou a expressiva vitória oposicionista, que seria consequente de artifícios comprometedores adotados pelos seus opositores.

Numa campanha marcada por toda sorte de manobras, o presidente venezuelano ameaçou resistir ao desfecho da contenda eleitoral, vedando o acesso dos adversários à TV, além de repelir a presença de ex-presidentes latino-americanos que foram a Caracas, convidados pela MUD.

Na reunião do Mercosul, realizada em Assunção, o Paraguai tomou a iniciativa de propor a punição da Venezuela, por haver encarcerado presos políticos em processos judiciais de duvidosa lisura.

Enquanto o país guarani assumiu posição corajosa, contando com a adesão da Argentina, o Brasil revelou mais uma vez sua indulgência com o regime venezuelano, tendo o chanceler Mauro Vieira advertido que o Mercosul não deve ser uma “instância de interferência”.

Esta omissão era aguardada principalmente após a manifestação do presidente uruguaio, Tabaré Vásquez, ao exaltar: “estamos com você, companheira Dilma”. Além do pronunciamento da representante venezuelana, chanceler Delcy Rodríguez: “Repudiamos a perseguição que está sendo dirigida à presidente Dilma Rousseff”.

Dilma Rousseff manteve a mesma conduta defendida por Lula, contrária à não intervenção em questões internas, por mais graves que sejam as arbitrariedades cometidas.

Na cúpula, Mauricio Macri criticou abertamente o governo de Nicolás Maduro, convencido de que no Mercosul “não pode haver lugar para perseguição política por razões ideológicas nem privação ilegítima da liberdade por pensar diferente. Quero pedir expressamente diante de todos os queridos presidentes do Mercosul a pronta liberação dos presos políticos na Venezuela”.

Por sua vez, Delcy Rodríguez tentou demonstrar que a oposição seria responsável pela violência havida em seu país, além de censurar o presidente Macri, responsabilizando-o pelo tratamento condescendente dispensado aos militares que sustentaram a ditadura argentina (1976-1983).

A mandatária brasileira, tomada do falso pudor de que não ficaria bem interferir em temas alheios, limitou-se a apoiar um comunicado conjunto destinado a resguardar a inteireza do Protocolo de Assunção em favor da preservação dos direitos humanos.

Em face do ocorrido, forçoso é reconhecer que a exaltação dos direitos humanos, tanto por Lula como por Dilma, não faz sentido sempre que a violação partir de governantes a que estejam identificados pelo mesmo credo.

 

Aristóteles Atheniense

Advogado e conselheiro nato da OAB; diretor do IAB e do IAMG; presidente da AMLJ

www.facebook.com/aristoteles.atheniense

Blog: www.direitoepoder.com.br

Twitter: @aatheniense 




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