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Dom Paulo Mendes Peixoto - 29/08/2015

Vida para todos

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A terra, por natureza, pertence a todas as pessoas, mesmo aquela de propriedade privada, porque deve ter função social. Não realizando isso, é passível de desapropriação e entregue a quem a faça produzir e cumprir sua finalidade natural. Para isto é importante a prática de normas e estruturas para que ela (a terra) possa garantir as condições de vida e dignidade para a população.

O discernimento quanto ao bem e o mal vem do coração e da mente das pessoas. Significa que a terra não pode ser manipulada para atender apenas a interesses econômicos particulares. Isto pode trazer, como consequência, o mal para quem não tem acesso a ela. A natureza criada não pode ser instrumento de corrupção, de desvio de sua finalidade, contribuindo para a decadência da ordem social.

Por causa dos inúmeros desvios na condução dos bens da natureza, a vida, a dignidade, a liberdade e a paz passam por um caminho de deterioração. Muita gente não consegue sonhar com um futuro melhor, porque o acúmulo desnecessário de alguns tira a possibilidade de vida plena de outros. Acontece o mundo da exclusão.

A condução política do Brasil carece de um processo de descentralização do poder e maior corresponsabilidade nas decisões para atender às necessidades das pessoas que não têm condição de competitividade na esfera econômica. É uma realidade concreta de exclusão, mesmo sabendo que nem todos têm oportunidades iguais.

Não podemos concordar com um sistema político opressor do povo, privilegiando interesses egoístas e sem responsabilidade com a causa comum. Nem podemos nem falar do ideal de uma sociedade justa, e sabemos que uma grande nação se faz pela promoção da justiça social, onde todas as pessoas têm condições de viver bem, superando suas diversas carências.

Jesus rompeu com o sistema injusto, que agia usando imposições absurdas do poder político e religioso que atuava na Palestina. Havia a classe dos fariseus e escribas que, em nome da lei, exercia pressão sobre o cotidiano da vida das pessoas. Creio que a realidade de hoje não é muito diferente. 

(*) Arcebispo de Uberaba




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