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A descrença petista

O secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto, avaliando o 5º Congresso Nacional

- Por Aristóteles Atheniense Última atualização: 30/07/2015 - 19:10:30.

O secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto, avaliando o 5º Congresso Nacional do PT em Salvador, qualificou aquele encontro como “um recuo que imobiliza o governo e arrasta o partido consigo”.

Embora considerando a nomeação de Joaquim Levy como sendo de índole conservadora, como forma de absorver a pressão neoliberal, Rossetto afirmou, paradoxalmente, que o PT deverá ser “um apoiador institucional incondicional das diretrizes recessivas do governo”.

Decorridos apenas seis meses da recondução de Dilma Rousseff, as críticas que lhes são feitas não partem somente da oposição. Ainda subsiste o inconformismo com a nomeação da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Kátia Abreu, ex-DEM, para a pasta da Agricultura, bem como a entrega do Ministério das Cidades a Gilberto Kassab, líder do PSD.

Joaquim Levy traz consigo o estigma de haver chefiado o Tesouro Nacional, por indicação de Antônio Palocci, com a agravante de este último ser ligado a Armínio Fraga, que fora anunciado durante a campanha de Aécio Neves como o seu futuro ministro da Fazenda.

Neste curto espaço de tempo, tivemos o aumento de impostos sobre produtos importados, a redução da desoneração da folha de pagamento, os cortes nos programas do PAC, a elevação dos juros de financiamento da casa própria, a revisão das tarifas de energia elétrica, as mudanças no financiamento estudantil (Fies).

São medidas que se tornaram mote da facção petista, que valoriza o desempenho de Lula e ataca permanentemente a atuação da atual Presidente.

Atnágoras Lopes, da CSP-Conlutas, vem sustentando: “Está todo mundo apertando a vida de quem trabalha. É isso que explica a vida dos professores em sete estados. Estão retirando direitos previdenciários, negando reajustes salariais e fechando salas de aula”.

Essas iniciativas na contramão dos interesses populares, quando submetidas à votação na Câmara, criaram constrangimento a deputados da base aliada, a exemplo de Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, que teve de optar entre a fidelidade ao Executivo e o compromisso assumido com suas bases eleitorais.

No Senado, o efeito dessas manipulações foi ainda mais constrangedor. Lindbergh Farias (PT-RJ) resistiu às restrições impostas pela MP aos trabalhadores. O senador Paulo Paim, figura histórica do PT gaúcho, acompanhado do baiano Walter Pinheiro, ameaçou deixar o governo.

O ex-senador Suplicy passou a ser abordado na rua e indagado pelos transeuntes quanto à razão de sua permanência num partido que se mostrou avesso aos princípios de probidade defendidos por aquele parlamentar.

Jean Tible, professor de Ciências Políticas da USP, indagado em relação à sobrevivência política de Dilma Rousseff, foi taxativo: “O jogo começou mal para os trabalhadores. O governo está sendo um carrasco, mas o jogo está sendo julgado. Não estou falando apenas de conseguir terminar o mandato, mas do legado que deixará a primeira mulher Presidente da República. Para terminar com balanço positivo, não resta alternativa a não ser mudar”.

Diante desses pronunciamentos, as censuras feitas recentemente por Lula, quanto ao comportamento de seu partido e o que lhe está reservado no futuro, não constitui manifestação isolada. Na medida em que a convulsão socioeconômica torna-se maior, o rol dos inconformados e descrentes dentro da falange petista tornar-se-á ainda mais expressivo.  

(*) Advogado e Conselheiro Nato da OAB; diretor do IAB e do iamg; presidente da AMLJ
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Twitter: @aatheniense

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