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Valdemar Hial - 10/06/2015

Faculdades de Medicina Parte II

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Das 249 faculdades de Medicina existentes no Brasil, 102 foram criadas antes de 2.000. De lá para cá, 147 novas escolas médicas foram implantadas no nosso território. Os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff foram os campeões na criação de escolas médicas, com, aproximadamente, 50% (123 faculdades do total de 249). Preocupa-nos o fato de que essas faculdades foram criadas sem nenhum planejamento. Vangloriam-se de oferecer vagas para 22.471 novos estudantes. A lógica prevalente é a da quantidade em detrimento da qualidade.

“Argumenta-se que a abertura dessas escolas, algumas delas em municípios de 50.000 habitantes, fixará futuros médicos em áreas de difícil provimento. Essa é uma falácia populista e demagógica, paradoxal à ética da responsabilidade social e que desrespeita ou desconsidera a qualidade do ensino a ser oferecido, muitas vezes para o gáudio político e empresarial, com escolas sem docência e sem decência. Infelizmente, sem uma correção de rumos, essa distorção tende a se agravar. Em lugar de ações marcadas pela falta de planejamento e por inidôneos interesses políticos, eleitorais e empresariais, o País precisa de atitudes sérias e coerentes com o ensino médico de qualidade e com uma política de Saúde que enfrente as deficiências do sistema público”. Faço minhas essas palavras do presidente do Conselho Federal de Medicina - Carlos Vital Tavares Corrêa Lima.

Urge uma avaliação, rigorosa, da qualificação de professores e da infraestrutura dessas instituições. É preciso um esforço para conseguir professores de carreira, e não professores às carreiras.

É necessário que se faça no Brasil o que foi feito nos Estados Unidos da América, em 1910, por Abraham Flexner e que ficou conhecido como relatório Flexner. O presente brasileiro de ensino médico confunde-se com o passado norte-americano, 105 anos depois. O relatório Flexner é considerado o grande responsável pela mais importante reforma das escolas médicas de todos os tempos nos Estados Unidos da América, com profundas implicações para a formação médica mundial. Embora o modelo de ensino proposto por Flexner mereça, 105 anos depois, algumas críticas no que tange ao Ensino Básico e profissionalizante, ele conseguiu a reforma que evitou a falência do ensino médico nos Estados Unidos e Canadá. Alguns anos após a publicação desse relatório, o número das escolas de Medicina nos Estados Unidos caiu de 131 para 81, embora Flexner admitia que apenas 31 tinham condições de continuar funcionando.

A nossa esperança é de que haja mais seriedade na condução do ensino da Medicina em nosso País, buscando a excelência na preparação dos nossos futuros médicos. Que assim seja.




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