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Dom Paulo Mendes Peixoto - 08/11/2014

Casa comum

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A casa é o ambiente propício para o aconchego familiar. Mas ela pode ter dimensões elásticas, sendo identificada também como espaço comum onde as pessoas constroem suas vidas, criam relacionamentos e convivência. Assim podemos dizer do país, dos Estados, dos Municípios, ou das comunidades. Um templo religioso pode ser também considerado lugar comum para seus adeptos.

Na Liturgia católica se faz memória da Basílica de São João do Latrão, como primeiro templo cristão, que precede a todos os outros. Ela está na cidade de Roma, sendo a primeira catedral do mundo católico, onde foram realizados importantes encontros, Concílios Ecumênicos e outros eventos que ajudaram na caminhada de reflexão teológica e pastoral da Igreja no mundo.

Os espaços de convivência devem ser suportes para projetos de vida com liberdade, vislumbrando um futuro cada vez melhor, uma sociedade totalmente nova e saudável para todos. Biblicamente falando, significa apontar para uma “nova Jerusalém”, que tinha como referência motivadora, o templo, o local comum, de onde brotavam os objetivos para a história do povo.

O profeta Ezequiel apresenta a imagem de um templo, de onde sai um rio de água, que fecunda a terra, produz peixes, árvores com frutos e folhas que servem de remédio (Ez 47,1-12). É a imagem da casa comum, entendendo como espaço da força de Javé, dando sentido para a caminhada difícil ou não do povo.

É importante ter em conta a fecundidade da água, fonte de vida. Sem ela tudo morre de forma improdutiva. Na travessia do Mar Vermelho, a água representa a libertação do povo que, até então, era escravo no Egito. Hoje esta cena é celebrada como páscoa, passagem de libertação, ligando água e templo como vida do povo.

Mas o templo pode ser também ambiente de exploração, como os vendilhões do templo no tempo de Jesus (Jo 2,13-22). Pior ainda é explorar o povo em nome de Deus, usando um espaço que deveria ser de libertação e dignidade. A religião não pode ser expressão de simples fator econômico e de exploração da ingenuidade das pessoas.

(*) Arcebispo de Uberaba




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