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ARTICULISTAS

O Estado brasileiro

Passamos por um momento eleitoral e cumprimos a missão cidadã de votar

- Por Dom Paulo Mendes Peixoto Última atualização: 04/10/2014 - 20:12:54.

Passamos por um momento eleitoral e cumprimos a missão cidadã de votar. Foi como plantar a muda de alguma fruta. O agricultor aposta no resultado de seu trabalho. A intenção é das melhores, na espera de colher frutos abundantes e bons. Os eleitos não deveriam iludir seus eleitores, fazendo cumprir sua missão construindo “obras” para favorecer vida melhor para todos os cidadãos. Muitos têm sido como plantas que morrem pelo caminho.

O Estado é como a vinha do Senhor. Ele produz frutos, mas não beneficiam a todos. Os “espertos” sugam, e até desviam, de forma camuflada, prejudicando aos que são seus legítimos destinatários. Os trabalhadores (os políticos) da vinha não têm cuidado bem dela. O Estado brasileiro é uma “vinha” muito rica e privilegiada em recursos naturais, mas explorada sem critério, ameaçando a vida.

Tenhamos consciência de que um político quando eleito é empregado. Ganha, e muito, para isto. Seu trabalho tem que ultrapassar os limites de interesses pessoais. Os frutos do país sejam entregues aos verdadeiros donos, ao povo e não às multinacionais e a outros países. Em muitos casos, os frutos têm sido tirados da boca dos filhos para favorecer outros interesses.

Temos visto, a olho nu, a usurpação de bens coletivos.  A carga tributária, os impostos exorbitantes exigidos da população retratam vinhateiros matando os filhos para ficar com a vinha. As consequências disto são graves porque a conduta está desconectada com o destino do bem público. A “coisa pública” deve ser gerida com competência e com intenção do bem. É inconcebível progresso convivendo com exclusão e marginalização social.

Todo batizado deve ser vinha do Senhor. O mês de outubro, mês missionário, é uma convocação para o cristão, mas também para os cidadãos brasileiros, com objetivo de construir o mundo de Deus, o espaço saudável para a boa convivência, onde a corrupção seja banida, a violência generalizada seja superada e a vida do brasileiro tenha mais qualidade. Não basta votar. É preciso também cobrar ações efetivas e com marcas de honestidade.

(*) Arcebispo de Uberaba

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