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CIDADE

Cesáreas representam mais de 65 por cento dos partos em Uberaba

Só no ano de 2014 nasceram 5.325 bebês na cidade, e destes, apenas 1.717 foram por meio de parto normal, segundo a SMS

- Por Sarah Parro Última atualização: 21/04/2015 - 22:51:38.

Especial para o JM 

Na maioria das maternidades da saúde suplementar em Uberaba, o índice de cesáreas chega a ultrapassar 90% dos partos. Muitas vezes a própria parturiente opta pela cesárea ou o procedimento é indicado pelo obstetra que a acompanhou durante todo o período de gravidez. “Apesar de Uberaba estar na contramão em relação aos números de cesarianas indicadas pela Organização Mundial da Saúde (15%), existe em todo o país uma cultura do parto cesariano, “sem dor”. A própria gestante escolhe o procedimento”, afirma o médico e responsável técnico por uma das operadoras da cidade, Leandro De Vito.

Segundo a Secretaria de Saúde de Uberaba, em 2014 foram feitos 5.325 partos, e destes, 3.608 foram cesáreas e apenas 1.717 partos normais. Em 2015, dos 1.572 bebês que nasceram na cidade, somente 545 foram por meio do parto normal.

Para reduzir esta “epidemia de cesáreas” desnecessárias no Brasil, que representam 84% na saúde suplementar e 40% na rede pública, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicaram no mês de janeiro deste ano novas regras que visam a estimular a prática do parto normal no país. A saúde suplementar tem até 180 dias para se adaptar às mudanças.

Com as novas regulamentações, a paciente terá mais acesso a informações, já que as usuárias poderão solicitar aos planos os percentuais de partos normais e cesáreas desenvolvidos naquele estabelecimento ou por determinado médico obstetra. Estas informações deverão estar disponíveis no máximo em até 15 dias após a solicitação. Caso ocorra o descumprimento, o plano de saúde será multado em valor de R$25 mil.

A mulher passará a ter o direito de um cartão de gestante, onde será registrado todo o pré-natal, e uma carta explicativa para a mãe. Com este cartão, qualquer obstetra saberá como anda a gestação, facilitando o atendimento. As operadoras passam a ter que incentivar os médicos a preencher um documento chamado partograma, que detalha graficamente todo o trabalho de parto. Agora o documento é parte integrante do processo para o pagamento do procedimento.

Para o médico Leandro De Vito, a maioria dos hospitais de Uberaba não tem estrutura e nem a quantidade de profissionais necessários para assistir o trabalho de um parto normal, que pode durar até 12 horas.

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