Quem pensa que a crise prejudica apenas as grandes empresas está enganado. Em Uberaba, os reflexos já atingem catadores e cooperativas de reciclagem, que viram os lucros despencarem nos últimos dias. A queda na venda dos principais produtos (papel, papelão, garrafas pet) é uma das principais causas do problema. As empresas que compram os materiais das cooperativas diminuíram as encomendas.
De acordo com Antônio Marcos Polvarin, catador e presidente da Cooperativa de Recolhedores Autônomos de Resíduos Sólidos e Líquidos de Uberaba (Cooperu), há noventa dias o preço do quilo do papelão era de R$ 0,25 e hoje não passa de R$ 0,10, como acontece também com o plástico (pet), que de R$ 1,20 passou a valer R$ 0,80. Segundo ele, o ramo de reciclagem sofre muito com as quedas, pois as cooperativas não têm condições de segurar o material por muito tempo nem espaço suficiente para mantê-lo. Com isso, muito material que deveria ser reciclado poderá ir para o lixo.
A renda dos cooperados também caiu. A maioria dos chamados recicladores “avulsos” paralisou suas atividades e estão buscando outro tipo de trabalho. Ainda segundo Antonio Marcos, quedas acontecem todos os anos, porém, devido à crise norte-americana, foi mais acentuada este ano. “Muito material reciclado, já na sua fase final de embalagem, é exportado”, disse. A cooperativa, que antes movimentava R$ 7 mil por mês, com a crise, está conseguindo arrecadar R$ 5 mil.
Antonio Marcos citou outra perda em conseqüência da crise. Segundo ele, a inauguração de uma grande fábrica de papelão em Uberaba, prevista para o início de fevereiro, foi adiada, o que diminuiu ainda mais a perspectiva da cooperativa, que pretendia vender papelão coletado à empresa.
Em março, ele acredita que haverá grandes chances de melhora, devido ao próprio controle e assentamento da economia, principalmente no setor de embalagens, mas não prevê valores mais altos enquanto as cotações nas Bolsas internacionais não voltarem a subir.