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Dia dos namorados: como lidar quando o relacionamento vai para dentro do ambiente de trabalho

Empresas não podem impedir namoro de funcionários, mas podem restringir contato

12/06/2019 - 08:15:55. Última atualização: 12/06/2019 - 14:17:58.

Ilustrativa

Ter um relacionamento amoroso com colega de trabalho não é algo incomum e muitas empresas não enxergam o relacionamento como obstáculo. Contudo, especialistas alertam que namorar durante o expediente pode comprometer a produtividade e até mesmo o emprego.

“A maioria das empresas aceita relacionamentos desde que as partes não trabalhem na mesma área, o que dificultaria a situação tanto para o casal como para a equipe e gestores”, diz Cezar Antonio Tegon, presidente da Elancers, multinacional brasileira no segmento de sistema de gestão de recrutamento e seleção.

Advogados trabalhistas explicam que as empresas não podem impedir o namoro de funcionários, mas podem proibir beijos, abraços ou relações sexuais no ambiente de trabalho. E, no caso de quebra de regras, é cabível a demissão por justa causa.

O que dizem legislação e regras corporativas sobre namoro no trabalho:

  • Proibir o namoro entre funcionários é inconstitucional e discriminatório, pois fere o direito à intimidade e à vida privada.
  • Mas a empresa pode pedir discrição para os funcionários e que evitem beijos, abraços, demonstrações de carinhos mais explícitas, relação sexual ou brigas durante o expediente.
  • As regras e comportamentos considerados inadequados no ambiente de trabalho podem constar de regimentos internos da empresa.
  • Em caso de os funcionários cometerem excessos, a empresa pode demiti-los por justa causa alegando a chamada incontinência de conduta, prevista na legislação trabalhista, que significa tomar atitudes exageradas que não condizem com o ambiente de trabalho.
  • O funcionário que for dispensado por namorar colega de trabalho sem ter desrespeitado nenhuma regra da empresa pode ir à Justiça e pedir indenização por dano moral.
  • O empregador não pode transferir funcionários de departamento com a alegação de que eles têm um relacionamento amoroso.
  • Casais podem pedir férias no mesmo período. Segundo a CLT, “os membros de uma família, que trabalharem no mesmo estabelecimento ou empresa, terão direito a gozar férias no mesmo período, se assim o desejarem e se disto não resultar prejuízo para o serviço”. Os demais direitos são negociados com a empresa e impera o bom senso.
  • Casais que trabalham em empresas que funcionam de finais de semana e feriados podem pedir para que façam o trabalho nos mesmos dias e períodos, desde que não prejudiquem a equipe ou a empresa. Porém, isso deve ser combinado com os gestores.

Confira dicas dos especialistas:

Política da empresa: Sendo apenas um flerte ou um começo de relacionamento, as regras são as mesmas, apesar de as empresas estarem cada vez mais abertas quanto à política de relacionamento no trabalho. Sabia qual é a cultura organizacional da empresa, que é, basicamente, como ela pensa.

Seja discreto: Não exponha muito seu relacionamento no horário de trabalho. São coisas da intimidade, não é para todos ficarem sabendo. Envie uma mensagem privada, por exemplo, em vez de ir à mesa dele ou dela. A discrição ajuda a evitar comentários maldosos por parte dos colegas e possíveis cobranças por parte do chefe.

Cuidado com o e-mail da empresa: Não utilize o e-mail da empresa para trocar mensagens pessoais, pois pode expor a intimidade para algum superior, e pode acarretar até mesmo em uma demissão. Utilize o intervalo para essas conversar ou aplicativos pessoais como o WhatsApp.

Hierarquia deve ser respeitada: Caso a paquera esteja acontecendo com algum superior ou chefe, os cuidados devem ser redobrados. Não deixe transparecer atitudes diferenciadas com os demais funcionários, nem regalias. Isso pode gerar constrangimento e até certa revolta com os colegas. Relacionamentos onde há hierarquia envolvida demandam um outro tipo de solução, com a transferência de uma das partes para outra área ou gestor. É praticamente inviável que um relacionamento amoroso caminhe imparcialmente com uma relação hierárquica no trabalho.

Se uma das partes não corresponder: Caso o flerte não funcione, não insista. Qualquer comportamento considerado abusivo, humilhante, constrangedor e que seja repetitivo e frequente em ambiente de trabalho pode ser considerado assédio moral.

Troca de olhares não faz mal a ninguém: Não é porque seu ambiente corporativo é mais tranquilo que você pode abusar dele. Por outro lado, uma conversa rápida, uma mensagem ou olhares não fazem mal a ninguém, desde que não atrapalhem sua produção e não constranja a outras pessoas.

Diálogo: Como o grau de empatia é muito alto, isso se torna uma vantagem competitiva no trabalho em equipe, já que cada um conhece o que o outro pensa. Por outro lado, se o casal tem problemas fica complicado. Por isso, o diálogo é primordial na relação, além de dar mais espaço para que a relação não fique saturada devida à intensa convivência. Além disso, existe uma grande discussão sobre conversar sobre trabalho em casa, já falar sobre vida pessoal no trabalho nem pensar.

Trabalho no mesmo departamento: Misturar amor com trabalho exige muita maturidade e não existe “receita de bolo”, mas uma dica universal é respeitar o código de conduta organizacional.

Trabalho em diferentes departamentos: Isso facilita muito a relação, pois diminui a pressão sobre a saturação da convivência além dos assuntos da empresa. Estar em departamentos diferentes diminui a tendência a levar trabalho para casa e, quanto maior a empresa ou mais distante o departamento, melhor.

Trabalho em departamentos que dependam um do outro: Esse é o meio termo entre trabalhar no mesmo departamento e em um diferente. Geralmente neste caso os parceiros pedem ajuda um ao outro para agilizar ou facilitar as tarefas. Isso pode ser um ponto positivo, desde que a equipe de qualquer um dos lados não se sinta manipulada ou prejudicada.

Almoço juntos: Não existe nada que impeça de o casal almoçar junto no intervalo do expediente, desde que não sature mais a convivência. O ideal seria fazer isso com outros colaboradores para melhorar o networking e oxigenar a relação.

Comportamento no happy hour: O happy hour é um prolongamento informal do ambiente de trabalho, então o contrato de conduta continua valendo. Evitar afinidades demais sempre é prudente. Mãos dadas e olhares não tem problema, mas beijos prolongados e carícias íntimas devem ser evitadas. A prudência é importante também para evitar brigas na mesa.

Indicação para vaga na empresa: Se a empresa permitir, não há problema indicar o parceiro para uma vaga dentro da empresa, mas deixe o processo de recrutamento correr normalmente sem se envolver. Deixe claro o seu grau de relacionamento e lembre-se de que você é o responsável pela indicação, então seja mais criterioso que o normal para que isso não se torne um problema.

Promoção do parceiro: Quando um é chefe do outro e surge uma oportunidade de promover o parceiro, é preciso lembrar que essa prática não envolve apenas uma pessoa. Por isso, é recomendável deixar que outras pessoas em cargos mais altos definam a questão. Isso afasta qualquer dúvida sobre predileções pessoais. E seja transparente com o seu parceiro sobre todo o processo do mesmo modo que faria com qualquer outro colaborador.

Demissão do parceiro: Uma demissão na maioria das vezes não acontece de repente, existem sinais e passos antes que ela ocorra. Mesmo assim será um “prova de fogo” para o relacionamento, por isso, o processo deverá seguir à risca as regras da empresa. E as avaliações de desempenho e feedback devem ser exemplares quando existem casais trabalhando juntos. Do contrário, se o gestor for incumbido de demitir seu cônjuge sem nunca ter dado um feedback ou feito uma avaliação de desempenho, isso causaria um enorme estrago na relação profissional e pessoal.

Trabalho interferindo na relação: Quando um dos dois perceber que o trabalho está interferindo no relacionamento, a empresa pode ver com bons olhos o funcionário pedir para mudar de departamento. Assim, essa mudança pode gerar mais produtividade e resultados. Eu usaria o argumento de “job rotation” por segurança.

Sociedade nos negócios: É preciso maturidade, muito diálogo e disciplina para definir quando começa o profissional e termina o pessoal e vice-versa. Esses aspectos costumam se misturar, então a dica é conversar quando um dos lados estiver se sentindo desconfortável com a situação. Um relacionamento se assemelha a uma dança, ambos têm que estar no mesmo ritmo, caso contrário, não vai dar certo.

Domínio sobre os negócios: Se no relacionamento já existe um jogo de poder, com certeza será repassado para o campo profissional. Não deveria existir hierarquia na relação pessoal, mas a vida profissional é baseada em poder, autoridade e hierarquia. A sugestão é ter um diálogo franco e maduro.

Trabalho x vida pessoal: As pessoas só funcionam em sua excelência se existir equilíbrio na vida profissional e pessoal. Não acredito que uma pessoa com um familiar doente tenha o mesmo rendimento que os demais colaboradores. A vida não se divide em profissional e pessoal, ela exige o uso todos os nossos talentos.

*Com informações do G1 Economia

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