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Pesquisa alerta que aplicativos de transporte consomem até 10% da renda do usuário

Em segundo lugar, ficaram as despesas com aplicativos de entrega de comida, 8,1% da renda registrada

11/06/2019 - 00:00:00. - Por Agência Estado Última atualização: 11/06/2019 - 13:22:39.

Um levantamento sobre consumo por meio de aplicativos dá a dimensão do peso que esses "gastos invisíveis" têm e mostra o quanto eles podem comprometer o orçamento. Segundo pesquisa da Guia Bolso, plataforma de organização das finanças pessoais, só os gastos com os principais apps de transporte no País - Uber, 99 e Cabify - comprometeram, em média 9,5% da renda dos 72 mil usuários da plataforma que utilizaram esse serviço em maio. O gasto médio com esses apps no mês foi de R$ 119.

Em segundo lugar, ficaram as despesas com aplicativos de entrega de comida. A média gasta pelos 39 mil usuários que pagaram por esse serviço em maio foi de R$ 85, uma fatia de 8,1% da renda registrada por esse grupo.

O gasto com aplicativos de filmes e de música consta no orçamento de 30 mil e 49 mil usuários da plataforma, respectivamente. A pressão sobre as contas, no entanto, foi bem menor: nenhuma das duas despesas chegou a passar de 3% do orçamento.

Embora os dados se refiram a uma parcela pequena e específica da população, eles permitem enxergar um novo perfil de consumo que não está relacionado apenas à renda, avalia o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fipe, Guilherme Moreira. "Os hábitos mudaram de maneira permanente, a estrutura dos gastos mudou. São números interessantes que mostram a importância que essas tecnologias passaram a ter na vida das pessoas", diz.

O professor explica que esses gastos não são exatamente extras, já que tendem a substituir outras despesas - enquanto crescem os pedidos de comida pelos apps, uma família pode diminuir a frequência da alimentação em restaurantes. "Deveremos ver uma redistribuição dos pesos dos setores", afirma.

Diretor do Guia Bolso, Julio Duram concorda que não é difícil perder o controle com esses gastos. "Se você olhar as categorias todas são sobre conveniência, são um caminho mais simples e curto. Mas tem uma armadilha: você gasta e só vê o tamanho do estrago no fim do mês, quando falta dinheiro", diz.

Sem esperar pelos institutos oficiais de pesquisa que confirmem essa nova realidade, empresas já oferecem serviços para facilitar o acesso a esse tipo de consumo e também para acompanhar os gastos. A fintech Neon Pagamentos lançou no mês passado um serviço para controlar o uso do cartão nos pagamentos de Netflix, iFood, Spotify e Uber. Segundo a empresa, a faixa de consumidores entre 28 e 34 anos é a que compromete a maior parte da renda com os serviços, chegando a 30%. "Identificamos esse comportamento e colocamos nosso foco em jovens que começam a ganhar o próprio dinheiro", diz o diretor da Neon Alexandre Álvares.

 

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