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CRÔNICA DO DIA
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CRNICA DO DIA
21/02/2018

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 Retrocesso social

Quando os portugueses e espanhóis oficializaram a descoberta do novo continente sul-americano, no século XIV, dizem os grandes historiadores que muitas riquezas naturais, como madeira, minérios e pedras preciosas já exploradas por outros grupos, tanto que a receptividade dos índios tupis foi amena, e com pouquíssimos confrontos em face dos encontros comerciais antecedentes, ao contrário do que ocorreu em outras partes do continente.

Os índios, desde então, receberam os europeus com festa e alegria, e eles, em reciprocidade, estabeleciam pronto convívio e, a partir daí, firmaram diversos atos de comércio, inicialmente através de trocas de produtos nativos, por industrializados, incluindo na base do ferro. Muitos mercadores estrangeiros, enfim, resolveram aqui se estabelecer e até infiltrar-se, definitivamente, na composição e formação de famílias com as índias. O presente, para estes genros astutos, era grande, pois além das índias, ganhavam áreas de terra para exploração, produção e cultivo.

O resultado, enfim, não poderia ser outro, tanto que navios mercantes saíam do território brasileiro abarrotados de madeira, pedras preciosas, dentre outras valorosas iguarias especiais, só aqui encontradas. Por si só, os índios tornaram-se, na devida proporção, verdadeiros empresários, e relacionavam-se com os mercantes em bom e alto tom negocial.

Em noites de festas realizadas entre mercadores europeus e os índios, a cachaça da cana, o cigarro do tabaco, e os tambores davam ritmo e som efusivo às festas que, como não poderia deixar de ser, rolavam pela madrugada, proporcionando o estouro das emoções entre eles, em verdadeiro carnaval.
Os negócios, enfim, eram entabulados neste ritmo, e não demorava até que as notícias das tramas aqui engendradas rolassem pelos europeus, tanto assim, que encontros entre os mercadores chegavam aos principais palácios e suas majestades, ao ponto de oficializar este mercado por quase 200 (duzentos) anos, ou seja, de 1500 a 1700. De fato, a exploração do nosso território estava definida, e atos oficiais, como o Tratado de Tordesilhas, definiam o destino dos impostos derivados das respectivas operações mercantis.

Esta linha de exploração estrangeira, vale aqui o relato, o Brasil não conseguiu se livrar ao ponto manter a velha matemática indígena, e deficitária, qual seja, em exemplo de hoje: o nosso país exporta o minério de ferro aos chineses, a preços módicos, e deles importamos os trilhos que dão base às ferrovias, em alto custo. Registre-se este exemplo para diversas outras operações mercantis que, em pleno século XXI, ainda são mantidas.

Nesta esteira, resta claro que nós, brasileiros, necessitamos de governantes e partidos que engendrem, nesta fase pós-Lava Jato, atos de extrema técnica econômica, ao ponto de reorganizar o lançamento das verbas orçamentárias para, de forma definitiva, atingirem os fins sociais para as quais foram criadas.
Por fim, essa nova fase bélica militar em que vivemos, especialmente pelos atos de intervenção no Rio de Janeiro, só faz revelar ao restante dos países do mundo, que o Brasil nunca possuiu mecanismos de gestão hábeis a resolver as questões de ordem social, especialmente nas áreas da saúde, segurança pública e educação, levando a crer que retroagimos décadas, ou até mesmo séculos, nos mesmos moldes que éramos vistos na época de seu “descobrimento”, lá pelos idos de 1500.

Paulo Leonardo Vilela Cardoso
Advogado e Professor Universitário.







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