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CRÔNICA DO DIA
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CRNICA DO DIA
20/02/2018

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  Amor, (não tão) sublime amor!

“Falar de amor já virou clichê”. Ouvi essa frase antes de entrar no cinema no último fim de semana. Depois de ver os filmes “A Forma da Água” e “Me chame pelo seu nome” descobri que essa pessoa estava certa e errada ao mesmo tempo. Romeu e Julieta, Bentinho e Capitu... já existem diversas histórias de amor já contadas. Sou da turma das românticas de acreditar que elas nunca são demais. Mas, talvez, só elas já não bastam mais. O mundo mudou, e algumas histórias continuam presas em estereótipos que estão sendo quebrados, cada dia mais, por um século que (ainda bem!) busca (muitos fracassam) entender e respeitar o outro.

O problema é que, o cinema, sendo um reflexo da nossa sociedade, não só representa o que existe nela, mas como nos faz querer segui-lo como exemplo, como guia. Por isso a representatividade, ou melhor, a falta dela, pode ser perigosa para cada um de nós. Porque somos uma mistura do que os outros pensam de nós, do que queremos ser, do como realmente somos. E muitas vezes funcionamos como um espelho. Nós, como matéria viva, somos o ser social que existe em cada um de nós: maleável, adaptável. Agora o nosso próprio reflexo, é o que somos no nosso “ser privado”.

Sim, existem pessoas tão transparentes que o seu “ser social” é quase, ou muito, parecido como o “ser pessoal”. Mas, a maioria de nós sempre mantém medos e anseios escondidos, para não ser machucada. Chegamos a esconder nossas próprias características, porque não estamos preparados para nos expor assim como os outros podem não estar preparados para nos receber. E acredite, ser o que somos não é influência. É vivência, é como nós enxergamos e fomos nos construindo e nos representamos nele. Não se torna mulher, se é mulher... Como ninguém se torna gay, se é.

E o problema muitas vezes do cinema é isso. Faltam verdadeiras representatividades, para que não busquemos ser o que “é considerado certo”, até porque não existe um jeito de ser errado. Estava faltando nas histórias, menos trilhas sonoras programadas e mais silêncio, como os instantâneos momentos da vida realmente acontecem. É sim, muitas vezes deixamos de viver lindas histórias de amor, porque não a conhecemos e não somos representados. Não deveríamos deixar que nosso mundo real seja desfeito pela vida perfeita que é representada a nós. Não somos personagens programados, somos pessoas, que o cinema às vezes esquece de representar.

“Me chame pelo seu nome” não é só uma história de amor de dois homens, mas a representação desse amor, com carinho e contato humano. Cria polêmica, como beijo gay em novela das nove, mas cria empatia e entendimento para quem não é e conforto para quem sempre foi. E o que dizer de “A Forma da Água”... não só uma fábula fantasiosa, mas de um amor mais do que real: sem preconceitos entre uma “fera” que está mais para um Deus, como para uma “Bela”, comum e muda.

O amor não tem estereótipos, nós que os criamos para impor padrões e que devem ser quebrados, por nós na vida real e no mundo da arte que representamos.

Julia Castello Goulart







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