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CRÔNICA DO DIA
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CRNICA DO DIA
20/01/2018

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Praga de mãe

Dizem que de praga de mãe nunca se livra. Era um menino bonito que se distinguia por ser inteligente e loquaz. Por isso, na escola era sempre destacado para atos como de recitar poemas, narrar dramas, ler discursos ou honrar a Bandeira. Isso causava inveja. Certo dia, como era tradição, foi ao colégio um fotógrafo para retratar os alunos. A turma do menino, então com oito anos, foi convocada para as fotografias.

A criançada inocente e feliz correu para o pátio, onde se fariam individualmente as fotos. Por lá estava uma professora da turma que tinha um filho naquela classe. Logo ela retirou da bolsa um pente para adequar os cabelos de seu filho. Os demais colegas se aproximaram e pediram emprestado o pente, no que foram prontamente atendidos, exceto aquele menino sempre destacado.

Este teve a solicitação sumariamente negada. “– Para você não empresto.” Puro, não entendendo a causa da grosseria, afastou-se algo lacrimejante e alinhou os cabelos com os próprios dedos. Sem que percebesse, por acaso, os cabelos ainda realçaram mais belos. Ferido pelo ato da mãe do colega, chegou em casa e reclamou para a própria mãe. Esta, carinhosa e serena, cuidadosamente disse ao filho: “– Querido, hoje conheceu o efeito da inveja. Prepare-se para enfrentá-la vida afora, se Deus quiser...!

É a minha praga de mãe para você. Afinal, só se inveja de quem está bem, e é o que desejo a você, o bem. Mas fique prevenido, porque o invejoso recusa a consciência da inveja, o que o torna perigoso.” Demorou algo para o menino bem absorver o ensinamento, mas quando pôde, cada vez que sofria um golpe pela inveja, lembrava-se da lição e perdoava a demência invejosa, a ponto de, para consagrar a indiferença ao invejoso, passar a lamentar pela conjuntura do invejoso, ao invés de odiar...

Então, quando a situação acontecia, intimamente sorrindo, consolava-se, pensando consigo: “– é praga de mãe...!”.

Ricardo Cavalcante Motta

 







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