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CRÔNICA DO DIA
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CRNICA DO DIA
14/02/2018

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 Não tem como fugir

Não me recordo quando fui informado de que a Terra é redonda. Fato é que é redonda e agora posso compreender por que o mundo dá voltas no embalo da rotação planetária. E pelas voltas que o mundo dá, só mesmo redondo para ir e voltar. A parte que o Sol banha é a mesma que lhe dá as costas para voltar-se à Lua. Dia e noite, voltas e voltas na incansável movimentação de trezentos e sessenta e cinco dias, oito mil setecentos e sessenta horas, quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos, trinta e um milhões e quinhentos e trinta e seis mil segundos. Sendo assim, por menos monótono que possa ser, anualmente fazemos essa viagem, somos permanentes passageiros, dando volta por aí nessa nave que transporta bilhões de passageiros humanos, bilhões de tantos bichos, tantas plantas, tanta água e toda sorte de invencionices do homem. Nem mesmo a morte nos apeia dessa maratona, os mortos não viajam, claro, mas são transportados porque permanecem na embarcação.

Portanto quando dizemos faz tempo que não viajo, há um engano na informação, porque aquilo que entendemos como viagem é mais um deslocamento do que propriamente viagem. E nas voltas que o mundo dá, vamos chacoalhando sem sentir e deparando com idas e vindas ao longo dessa rota permanente e ininterrupta até cessar nossa condição de passageiro quando vivos não mais estivermos. Não há verdade mais chinesa de que a Terra é redonda, que a viagem de todos é sempre a mesma. O que muda são as classes na embarcação, acomodações, aí sim está a grande diferença e o porquê da viagem ser agradável ou não. E não tem como sair fora, desde que nascemos somos permanentes viajantes. Este é o embalo da vida, dar voltas em cima da Terra, nesse vai e vem de encontros e partidas, chegadas e despedidas, nesse astro colossal que nos faz viajar diuturnamente. Como disse Fernando Pessoa: “A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos”. Ao fitar frente ao mar, pus-me a observar o navio que longe ia, em demorada e lenta singrada, e de repente desapareceu. Daí, senti, comprovado, que a Terra é redonda e que o mundo dá muitas e muitas voltas.

Luiz Cláudio dos Reis Campos-engenheiro-victorsofia37@gmail.com







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