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ENTREVISTA
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ENTREVISTA
24/01/2016

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Nos últimos meses o mosquito Aedes aegypti se tornou mais ameaçador, pois se apurou que, além da dengue, ele transmite a chikungunya e o zika vírus, que tem sido relacionado aos casos de microcefalia no país. O secretário municipal de Saúde, Marco Túlio Azevedo Cury, em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, diz apoiar as medidas anunciadas pelo prefeito Paulo Piau de jogar duro contra os donos de imóveis onde há foco do mosquito e destaca a importância da participação da população no combate ao inseto. Ele fala das ações que estão sendo desenvolvidas e do risco que a cidade corre com o aumento do número de casos das três doenças em todo o país, em especial o zika (microcefalia). Para este ano, incluindo pequena parte de recursos do Estado e da União, serão investidos mais de R$5 milhões no trabalho de combate ao mosquito, prevenção e tratamento das doenças. Marco Túlio fala ainda da gestão da Pró-Saúde nas UPAs e do constante trabalho de fiscalização do serviço prestado, incluindo a instauração de sindicância. Ele reforça a previsão de inaugurar parcialmente o Hospital Regional ainda no primeiro semestre deste ano e classifica este fato como uma prioridade da Secretaria, juntamente com a implantação do Prontuário Eletrônico.   

Jornal da Manhã - O prefeito anunciou recentemente que vai jogar duro contra os donos de imóveis onde houver focos do mosquito Aedes aegypti, com a aplicação de multas e até a demolição de prédios abandonados. O senhor acredita que essa ação é eficiente para o combate ao mosquito?
Marco Túlio Azevedo Cury –
Eu acredito que sim. Toda ação que colabore com o combate ao mosquito e alerte a população quanto ao perigo de um criadouro é válida. O prefeito é o gestor do município e muitas vezes é necessário que tenha posicionamentos mais enérgicos para atingir as suas metas. Infelizmente muitas pessoas não colaboram com o nosso trabalho, e eu não acho justo um cidadão que faz a sua parte ter que sofrer com a doença porque o seu vizinho não cuida do seu quintal. Então, tomaremos todas as medidas cabíveis para que isso não ocorra. As equipes de agentes estão nas ruas e, se necessário for, multas serão aplicadas sim, e imóveis poderão ser demolidos como disse o prefeito. O município está fazendo a sua parte e o cidadão também deve fazer. 

JM - O governo do Estado anunciou medidas para intensificar o combate ao mosquito e condicionou a liberação de recursos à eficiência de visitações. Uberaba terá condições de cumprir a meta e garantir esses recursos?
MTAC –
Estamos empenhados em cumprir os ciclos de visitação o mais rápido possível, visando não apenas a quantidade de imóveis visitados, mas também a qualidade do serviço prestado. Não adianta percorrermos toda a cidade se a verificação dos imóveis não for bem feita. O Estado indicou dois ciclos atípicos para janeiro e fevereiro, em que todos os municípios devem visitar 100% dos imóveis em cada mês. Para isso, os governos federal e estadual apontaram a necessidade de colocar os agentes de saúde também neste trabalho. Mas Uberaba saiu na frente, já que em setembro do ano passado fizemos a primeira capacitação desses profissionais, e agora eles já estão nas ruas visitando os imóveis para a verificação de possíveis criadouros do Aedes aegypti, juntamente com os agentes de endemias. Uberaba dobrou o número de agentes e hoje temos 500 servidores no trabalho de combate à dengue, nas residências. Nossa expectativa é cumprir a meta. 

JM - Quanto, no total, está sendo investido no combate ao transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus?
MTAC –
Para 2016 o orçamento municipal prevê investimento de R$4.892.500,00 para as ações de vigilância, prevenção e controle da dengue, chikungunya e zika. Além disso, para este ano vieram mais dois incentivos do governo estadual, sendo um de R$720 mil, inseridos no bloco de Vigilância em Saúde, e outro de R$422 mil para gastos na área da Atenção Básica. Este último é para auxiliar no custeio do trabalho dos agentes de saúde na prevenção e combate ao mosquito. 

JM - A participação da sociedade é de fundamental importância no combate ao mosquito. O que está sendo feito para estimular as pessoas a participarem dessa ação?
MTAC –
A Secretaria de Saúde desenvolve diversas ações em parceria com a comunidade. O último LIRAa apontou que a maioria dos criadouros está dentro das residências, sendo 40,4% nos vasos de plantas e bebedouros de animais. Ou seja, precisamos da contribuição efetiva da população para o nosso trabalho avançar. Frequentemente promovemos reuniões do Comitê da Dengue, aberto a toda sociedade, e fizemos ainda uma mobilização específica sobre o zika vírus, além de envolver as entidades de classe, clubes de serviço, como Rotarys e Lions, e órgãos como o Corpo de Bombeiros e Tiro de Guerra. Nesses encontros são repassadas todas as orientações e informações atualizadas sobre as doenças, e o próprio prefeito Paulo Piau participa ativamente das discussões. A imprensa também tem feito um papel primordial neste trabalho, nos auxiliando com os esclarecimentos à sociedade. Além disso, a partir de fevereiro vamos fazer ações específicas nas escolas, envolvendo também as crianças na prevenção.  

JM - Os números relacionados às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti são preocupantes em Uberaba?
MTAC –
Hoje Uberaba vive uma situação de controle em relação ao número de casos, mas não está isenta de sofrer com uma possível epidemia. Aliás, o Brasil todo vive um momento preocupante em relação às doenças, em especial com o zika vírus que ainda é objeto de estudo por cientistas e a cada dia avança mais para todas as regiões do país. No ano passado, infelizmente tivemos óbitos por dengue e o nosso trabalho é para que a cidade não tenha mais nenhum caso. Não queremos mais perder nenhuma vida para a dengue. Por isso nós pedimos que a população não descuide e nos auxilie. Escolha um dia da semana para verificar a sua casa e quintal, e cuidar para não ter um criadouro do mosquito. 

JM - No ano passado uma das polêmicas que permeou o setor de saúde foi o funcionamento das UPAs sob a gestão da Pró-Saúde, com a criação de CEI na Câmara e até uma decisão judicial restabelecendo a responsabilidade das unidades ao município. Recentemente o prefeito Paulo Piau determinou sindicância para apurar possíveis irregularidades na prestação do serviço. Como o senhor está conduzindo esta situação?
MTAC –
Antes de tudo é preciso esclarecer que a gestão do SUS no município é feita pela Secretaria de Saúde e, desde a minha chegada, em janeiro de 2015, assumi esta responsabilidade. O funcionamento das UPAs hoje está com a Pró-Saúde, por meio de um contrato. Cabe ao município a fiscalização periódica dos serviços prestados nas duas unidades e estamos fazendo isso de forma sistemática para garantir o melhor atendimento de saúde à população. Eu vejo de forma natural esta sindicância e o prefeito está correto quando cria mecanismos para aprofundar a fiscalização, como este trabalho que vem sendo feito pela Controladoria do Município. Mais órgãos fiscalizando aumenta a transparência dos atos em qualquer gestão. Quem ganha com tudo isso, sem dúvida, é o cidadão. 

JM - A Pró-Saúde também foi a vencedora para administrar o Hospital Regional. O senhor teme os mesmos problemas?
MTAC –
Da mesma forma como ocorre nas UPAs, o funcionamento do Hospital Regional será desenvolvido pela Pró-Saúde, mas a gestão de todo o sistema estará sob a responsabilidade do município e, desta vez, em parceria com o governo do Estado. Várias comissões estão trabalhando de forma conjunta e vão acompanhar todo o processo, desde a implantação, aquisição de equipamentos, materiais e insumos, para que não haja nenhum problema de ordem funcional no Hospital Regional. 

JM - Qual a previsão de início do funcionamento do Hospital? A questão do custeio está resolvida e os municípios, incluindo a região, terão como arcar com os 25% do total que restou do que os governos federal e estadual vão bancar?
MTAC –
A expectativa é inaugurar ainda no primeiro semestre de 2016. Inicialmente vamos colocar em funcionamento a primeira etapa, que é a mais complexa. São 40 leitos de internação, 10 leitos de UTI, três salas de bloco cirúrgico e as áreas de apoio, como central de material e esterilização, lavanderia, entre outras. Em relação ao custeio, muito já se avançou nas conversações com os municípios que serão atendidos, já que o hospital vai cobrir toda a macrorregião Triângulo Sul, abrangendo cerca de 800 mil pessoas em 27 municípios. Já temos acordado que o governo federal vai arcar com 50%, o Estado com 25% e o restante estamos discutindo como será a participação de cada cidade neste processo. 

JM - O senhor acredita que com a inauguração do Hospital Regional de Uberaba o atendimento na área da Saúde na cidade vai realmente melhorar?
MTAC –
A Saúde é uma área em que todo recurso que você coloca ainda é insuficiente para atender a demanda. É claro que o Hospital Regional vai colaborar para a melhoria do atendimento, em especial porque hoje o maior problema vivenciado em Uberaba e outras cidades é o déficit de leitos. Infelizmente, muitos pacientes aguardam por um leito por vários dias e isso sobrecarrega o nosso sistema, no caso as UPAs. O Hospital Regional terá um total de 160 leitos e vamos inaugurar já com 50 leitos em funcionamento. Isso muda, sim, a nossa realidade para melhor. 

JM - Por ser a Saúde um setor que ainda sofre com grande volume de reclamações, para este ano, último do atual mandato, o que ainda poderá ser feito no sentido de amenizar a situação?
MTAC –
Em 2016 vamos priorizar a inauguração do Hospital Regional e a abertura da Clínica da Família no bairro Abadia, que vai oferecer atendimento ambulatorial significativo para a cidade. Paralelamente, nossa equipe está concentrada na implantação do sistema de prontuário eletrônico em todas as unidades, o que vai diminuir a espera por consulta e exame. Vamos acabar de vez com essa fila eletrônica. Também vamos reformar e pintar todas as unidades de saúde, e dar atenção especial à saúde bucal, potencializando o atendimento. Além disso, o concurso público para a área da saúde vai assegurar mais profissionais para a rede do município. 

JM – Sabemos que a Prefeitura tem dificuldade na contratação de médicos. O que o município tem feito para atrair mais profissionais? O “Mais Médicos” do governo federal ajuda?
MTAC –
Esta é uma questão que ocasionalmente nos traz dificuldades. Quando algum médico deixa a rede pública, dependendo da especialidade, não conseguimos encontrar em pouco tempo outro profissional interessado. Abrimos processos seletivos e agora o concurso, mas ainda assim algumas áreas são mais difíceis até mesmo pela carência de especialistas no mercado. O programa “Mais Médicos” ajuda sim. Hoje temos 21 profissionais em Uberaba por este programa, sendo 19 cubanos. Mas é preciso ressaltar que todos são clínicos gerais; o “Mais Médicos” não atende à demanda de especialistas.  

JM - Em virtude da crise pela qual passa o País, houve redução de repasses por parte do Estado e da União? E como o município está lidando com a situação?
MTAC –
Não podemos dizer que houve redução de repasses, em que pese a atual crise econômica esteja afetando todas as esferas de governo. O que enfrentamos foram atrasos em alguns repasses da União, o que nos levou a reprogramar o nosso sistema também. Desde o ano passado nós estamos seguindo a determinação do prefeito Paulo Piau de otimizar recursos e reduzir gastos, sendo que no caso da Saúde precisamos fazer este trabalho sem que haja comprometimento no atendimento ao cidadão. O que fizemos foi estabelecer nossas prioridades e renegociar novos prazos diante das necessidades. 

JM - O Samu regional realmente funciona neste ano? E qual o benefício para Uberaba?
MTAC –
Nós acreditamos que sim e Uberaba está dando a sua colaboração para isso. No final do ano passado ficou definido que o Samu Regional Triângulo Sul funcionará em sede provisória na rua Treze de Maio, na região central da cidade, ocupando parte da atual sede administrativa do Corpo de Bombeiros e o local onde hoje funciona a sala de vacinas do Centro de Saúde Eurico Vilela. Inclusive, a reforma do espaço já está sendo avaliada pelos profissionais da área de Engenharia. Tanto o Estado quanto os municípios envolvidos estão trabalhando para o Samu regional funcionar no primeiro semestre, visto que a previsão de entrega das ambulâncias é para o mês de abril. Teremos 24 bases espalhadas nos municípios que integram a região do Triângulo Sul. Uberaba ganha com o reforço de sua rede de urgência e emergência.







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