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ENTREVISTA
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ENTREVISTA
21/02/2016

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Arnaldo Manuel mistura experiência e visão moderna da pecuária nacional. Dos 63 anos de vida, 38 foram dedicados à ABCZ, no Conselho Deliberativo Técnico e participando de várias diretorias e, ao mesmo tempo, acaba de se destacar, com sua fazenda “Ipê Ouro”, no ranking dos melhores do agronegócio nacional pela revista Dinheiro Rural. Nasceu e cresceu numa família de zebuzeiros. Seu avô, Rodolfo Machado Borges, foi um dos fundadores da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, que mais tarde se transformou em ABCZ.

Formou-se médico veterinário pela UFMG, montou seu próprio plantel, ganhou destaque como jurado no Brasil e no exterior e é um defensor rígido do melhoramento genético. Tem uma história própria com a ABCZ e a pecuária. Seis ex-presidentes da ABCZ manifestaram apoio a ele para presidir a entidade no próximo triênio. Nesta entrevista, Arnaldo Manuel, conhecido no meio pecuário como Arnaldinho, revela seus planos para a ABCZ ao disputar a presidência da entidade.

Foto/Wellington Valeriano

Candidato a presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel diz que pretende democratizar o acesso do produtor a novas tecnologias 

 

Jornal da Manhã - Conforme notícias veiculadas recentemente, há uma redução no consumo mundial de carne vermelha... Isto compromete a pecuária brasileira?

Arnaldo Manuel - Conforme a mídia especializada, como a revista do agronegócio brasileiro Dinheiro Rural, que é muito informativa e respeitada, a expectativa é de grande crescimento mundial nos próximos 10 anos. Temos um mercado com potencial muito forte. Os prognósticos são de aumento de exportação. O que observamos é que este é um bom momento para o Brasil e que o mercado importador exige sanidade e qualidade. Nós temos que nos preocupar sempre em produzir carne de qualidade, apoiando e incentivando iniciativas e eventos como a “Semana da Carne”, que ocorrerá de 13 a 18 de junho, em São Paulo, com dois grandes eventos. Todas as previsões são de que o mercado da carne só vai crescer, e não só de gado bovino, e nesse cenário o Brasil se destaca na quantidade de carne exportada, devendo buscar, cada vez mais, produzir com melhor qualidade. Para tanto, tem que haver um equilíbrio perfeito de genética com manejo. Temos caminhado bem e apostamos ainda na integração pecuária/agricultura/floresta, pois o mercado externo exige preservação do meio ambiente e o nosso marketing maior é a “carne natural”. 

 "Só temos um lado, o lado onde sempre estivemos, que é a ABCZ e a favor da união em prol da entidade e do zebu; o lado do criador, que é grande responsável por garantir alimento de qualidade a baixo custo na mesa de cada brasileiro” 

JM - Recentemente a China voltou a importar carne brasileira, assim como outros vários países já o fazem. Entre os exportadores brasileiros existem criadores da nossa região? É possível que a ABCZ desenvolva algum programa que possibilite a democratização das exportações até chegar aos pequenos criadores de gado de corte?

AM - Sanidade é fundamental quando se fala em exportação e a exigência internacional é grande, com regulamentação específica. Os vários elos devem ser observados para garantir qualidade e segurança. Um problema isolado em alguma parte do país expõe toda a cadeia nacional. A região participa do mercado internacional pela qualidade do rebanho zebuíno, exportando sêmen, embriões congelados e animais de alto valor genético. Aqui em Uberaba estão duas das três maiores centrais de coleta de sêmen. Sobre programa de democratização, é justamente esta a nossa proposta: uma ABCZ para todos, para que se envolva todo esse mercado, levando assistência técnica aos médios e pequenos criadores, assim como reprodutores melhoradores (Pró-Genética) e orientação no manejo. E a ABCZ tem muito a contribuir por meio do seu corpo técnico para o melhoramento do rebanho. Estamos vendo o crescimento da pecuária e que ela é um dos pilares mais fortes da economia, mas reforço a importância da permanente melhoria genética, da pastagem à sanidade. Nosso trabalho é para que esses benefícios cheguem a todos os pecuaristas, que a ABCZ não fique só na pecuária seletiva, mas participe também, de forma efetiva, da promoção da genética, da carne e do leite.

 

JM - É possível dizer que a pesquisa científica em genética animal no Brasil está avançada o suficiente para garantir carne e leite de qualidade, a baixo custo e preço competitivo no mercado externo, independentemente das variações cambiais? O que falta para tornar essas pesquisas mais acessíveis aos pequenos produtores rurais?

AM - Fazer crescer e fortalecer o elo entre ABCZ e entidades nacionais, estaduais e sindicatos rurais. Sempre se pode fazer melhor. Esta é a nossa filosofia de trabalho. O Brasil hoje tem estrutura educacional de alta qualidade nas áreas de zootecnia, agronomia e veterinária e estas universidades estão envolvidas com o melhoramento. Nosso programa de melhoramento tem parceria que envolve professores da Fazu, da UFMG, da Federal de Viçosa e melhoristas da Embrapa. Toda esta estrutura de educação e pesquisa está a serviço da pecuária. O mais importante é promover tudo o que existe e levar aos currais, à maioria possível dos produtores, é fazer crescer esta parceria. A informação hoje chega rápido. O conhecimento está disseminado, temos gente preparada. É necessário aplicar todas essas medidas para gerar resultados econômicos. 

 JM - Você é vice-presidente da ABCZ, mas disputa a eleição da entidade contra nome apoiado pelo presidente atual. Vou começar lhe perguntando de que lado você está? Situação ou oposição? Diante deste fato, o que o leva a lançar seu nome na disputa para a presidência da associação?

AM - Só temos um lado, o lado onde sempre estivemos, que é a ABCZ e a favor da união em prol da entidade e do zebu; o lado do criador, que é grande responsável por garantir alimento de qualidade a baixo custo na mesa de cada brasileiro. Buscamos uma entidade forte para se sentar à mesa e exigir tratamento digno, segurança à atividade, abertura de novos mercados, uma densa política de subsídios. Estamos prontos e preparados para buscar a democratização e descentralização de uma entidade de importância histórica, política e social, que precisa se abrir para novos horizontes. O que quero fazer é uma gestão transparente, verdadeira e participativa... enfim, uma ABCZ para todos.

"Eu me preparei durante muitos anos e me sinto pronto para representar os criadores de zebu; com minha experiência e de todos os membros de nossa diretoria, sei que podemos contribuir muito para uma ABCZ de todos e para todos!”

JM - Nos bastidores comenta-se que havia um acordo através do qual o senhor seria o candidato da diretoria nas eleições presidenciais deste ano. Havia de fato esse acordo? Como é ser candidato a dirigir uma entidade ocupando o cargo de vice de um presidente que apoia o seu adversário? Isto é sinal de divisão da ABCZ?

AM - Historicamente, a eleição acontece em consenso. Um nome é indicado pela diretoria. Houve o compromisso ao final da gestão anterior e estamos honrando-o ao manter nossa decisão para formação de uma diretoria renovada. Na verdade, a nossa candidatura surgiu em 2012, ainda na gestão do presidente Duda Biagi, a partir da manifestação e pleito de criadores durante exposição de Janaúba, em junho de 2012, que foram sucedidos por manifesto assinado por mais de uma centena de técnicos e tratadores, apresentado durante a Expoinel do mesmo ano. Diante da honra e responsabilidade por esse movimento de apoio, levamos ao conhecimento do então presidente, o que resultou no compromisso para a sucessão da entidade na atual e próxima gestão. Mas a disputa não é sinal de divisão da entidade, lutamos pela sua união, para todos os associados, não apenas para membros da diretoria. Esse é o objetivo da formação da diretoria renovada. Estive recentemente no Mercado Municipal e lá o senhor Olésio me disse: “Arnaldo, eu acompanho a ABCZ e o Sindicato Rural há muito tempo. Eu sou sócio da ABCZ. Acho que está na hora de ter uma renovação, não de idade, mas de mentalidade, de grupos”. Elogiou muito o trabalho de Edílson Lamartine Mendes, Randolfo de Melo Rezende e Afrânio Machado Borges. Ele conhece a ABCZ e o Sindicato Rural com riqueza de detalhes. Enfim, é salutar a oxigenação no comando da instituição. Eu me preparei durante muitos anos e me sinto pronto para representar os criadores de zebu. Com minha experiência e de todos os membros de nossa diretoria, sei que podemos contribuir muito para uma ABCZ de todos e para todos!

JM - Como o senhor pretende se apresentar aos associados da ABCZ, já que fazia parte da atual diretoria e agora está na oposição?

AM – Apresento-me como Arnaldo, como sou, com o que tenho a mostrar de trabalho efetivamente realizado e com propostas; como um criador apaixonado pelo zebu e pela ABCZ. Todo associado tem o direito de se lançar candidato. E estava disposto e preparado desde 2012. Temos convivência com a ABCZ, o que começou muito cedo, aos 26 anos de idade, desde 1978, como membro do Conselho Deliberativo Técnico, convidado pelo então presidente Manoel Carlos Barbosa. Este conselho é o responsável pela elaboração de normas e projetos para o melhoramento genético das raças zebuínas e é composto por oito membros de cada raça, com a participação de criadores e técnicos. Não é um órgão político ou administrativo. As resoluções passam pela aprovação e homologação do Ministério da Agricultura e Pecuária. Este conselho tem no comando, há 23 anos, o zootecnista Luiz Antônio Josahkian, que com certeza continuará conosco no departamento técnico, por sua competência, comprometimento e conhecimento!

 JM - Muitos criadores da região trocaram os pastos por canaviais na última década... Quem persistiu na zebuinocultura tem hoje do que se queixar?

AM - O que acontece em todo o Brasil é a integração agricultura/pecuária, o que também aconteceu aqui conosco. Um dos primeiros arrendamentos realizados foi na fazenda do meu pai. Isso já não é de agora. Nós fomos pioneiros. Em Uberaba, tudo começou nos anos 80, pela iniciativa do José Humberto Guimarães/Banco do Brasil. Antes da cana já havia a soja. Meu pai fez parceria com a soja, depois com a cana, e manteve o rebanho também em área menor e mais produtiva. Quem persistiu na zebuinocultura possui amplo espaço no mercado e se aproveita de um ciclo longo de valorização dos animais comerciais, mas demanda de iniciativas para ter maior eficiência na produção e maior lucratividade. A ABCZ tem o dever de apoiar o criador nesse desafio. 

 JM - Apesar da tradição de Uberaba na pecuária, a que se atribui o fato de até hoje a cidade não dispor de um frigorífico de peso?

AM - A nossa região é mais de cria do que de engorda. Uberaba também diversificou muito no agronegócio e é grande produtor de soja, milho, eucalipto, laranja, pecuária leiteira e seletiva. No Triângulo Mineiro, temos outros municípios que têm o criatório voltado a animais de engorda, onde existem frigoríficos e indústrias importantes e estão próximos de nossa cidade.

JM - Os leilões de gado da agenda oficial da ExpoZebu sempre causam espanto nas pessoas que não são do meio, em decorrência dos preços elevados pagos por animais de elite. Por que esses animais custam tão caro? Apesar da crise econômica que o país atravessa, o senhor acredita que esses animais devem continuar sendo vendidos pelos mesmos patamares de preços? Por quê?

AM - Nós temos dois eventos importantes, a ExpoZebu e a ExpoGenética. São dois eventos com características bem próprias. A ExpoZebu tem os leilões de elite, com a participação de criadores nacionais. São apresentados de 25 a 30 animais em cada leilão. Em sua maioria, há assessoria técnica de ponta para a escolha dos animais de alto nível em todo o Brasil. Existe um padrão de exigência muito grande, animais que têm que ter fenótipo correto, boas avaliações, características de produtividade, fertilidade, habilidade materna em ordem. São animais diferenciados. Geralmente os machos são doadores de sêmen e as fêmeas, doadoras de embriões. É o que existe de melhor dentro da geração. São animais de altíssima qualidade que vão dar uma grande contribuição à pecuária, ao melhoramento e trazer retorno financeiro para quem faz o investimento. São essas razões do valor diferenciado e muitos são arrematados em cotas. Nos leilões da ExpoGenética estão reprodutores e matrizes em maior quantidade que vão ser utilizados em outro segmento da pecuária, no rebanho comercial. São avaliados pelos programas de melhoramento. A crise pode refletir, sim, especialmente nos remates da ExpoZebu, por isso os promotores têm maior desafio para ofertar o melhor da genética. 

"Todas as previsões são de que o mercado da carne só vai crescer, e não só de gado bovino, e nesse cenário o Brasil se destaca na quantidade de carne exportada, devendo buscar, cada vez mais, produzir com melhor qualidade”

JM - O que exatamente o senhor pretende quando propõe a integração agricultura/pecuária?

AM - Com essa integração vamos fazer do Brasil um país cada vez mais produtivo, saudável e eficiente na produção e na qualidade. Temos que ter preocupação com nossa natureza, com água. Essa integração envolve preservação do meio ambiente, produção e qualidade de vida. Um exemplo que temos desta prática [ILPF] bem-sucedida é o Mato Grosso.

"Temos caminhado bem e apostamos ainda na integração pecuária/agricultura/floresta, pois o mercado externo exige preservação do meio ambiente, e o nosso marketing maior é a ‘carne natural" 

JM - A comunidade uberabense reclama que a ExpoZebu tornou-se nos últimos anos uma festa apenas para criadores de gado. É possível resgatar o modelo de exposição que era realizado nas décadas de 80 e 90 em Uberaba, ainda que sem os shows noturnos?

AM - Tranquilamente. Estive recentemente com o prefeito Paulo Piau e conversamos sobre isto. Cito exemplo do que vimos em outros eventos que frequentamos no Brasil e em outros países, onde são instalados vários restaurantes, bares, lanchonetes, diversificando a paisagem dos parques, e tudo muito bem setorizado. A região de Uberaba tem atrações turísticas, comércio forte. É interessante agregar com a cidade, com a população e com o pessoal de fora. É possível criar estrutura turística, eventos dentro do parque, aumentar a participação da população, valorizar a cultura da cidade, oferecer oportunidades. A ExpoZebu movimenta a cidade inteira e todos os segmentos econômicos. Temos espaço no Parque Fernando Costa para mais opções de lazer, mais conforto, mais atrações, artesanato, culinária regional. Para tanto, sugerimos ao prefeito uma parceria com a ABCZ.







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