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ENTREVISTA
14/02/2016

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Matéria: Carlos Paiva

 

Foto/Neto Talmeli


Heli Geraldo Andrade, novo delegado-chefe do 5º DPC-MG, espera apoio político para melhorar a segurança pública na região

"Em relação a quem estiver trabalhando, não vou discutir e nem colocar à disposição, mas se não tiver a contento, vou, sim, conversar com a chefia para discutirmos mudanças"

Aos 58 anos de idade, sendo que 34 dedicados à Polícia Civil, o delegado-geral (título que representa o topo da hierarquia na instituição) Heli Geraldo Andrade, também conhecido como “Grilo”, assume a chefia do 5º Departamento de Polícia Civil de Minas Gerais (5º DPC-MG) e revela os inúmeros desafios que pretende vencer com muito trabalho e persistência. Casado com médica anestesista e pai de casal também de médicos, fala com exclusividade ao Jornal da Manhã de suas propostas e mudanças para as 30 cidades jurisdicionadas ao 5º DPC-MG. O novo delegado-chefe é natural de Perdizes (MG), mas mora em Uberaba desde os sete anos, onde foi vereador por quatro legislaturas e candidato a deputado estadual por duas vezes. Ele fala também de suas ligações e pretensões políticas e se demonstra empolgado quando comenta sua proposta de integração não só das polícias com a Guarda Municipal, mas também com o Ministério Público e Judiciário.

A cadeia não é obstáculo para a ação de traficantes, lamenta Heli

Jornal da Manhã - Em que situação o senhor recebeu o 5º DPC?
Heli Geraldo Andrade - É sabido por todos que o quadro da Polícia Civil em Minas Gerais é deficitário nas questões estrutural e logística, mas estamos recebendo com otimismo e vamos tentar melhorar o máximo e com esperança de que as ações políticas possam ajudar na melhoria.

JM - Tem previsão de aumento de efetivo?
HA –
Iniciou-se em Belo Horizonte o curso de 1.080 investigadores. É claro que não vamos receber tudo o que precisamos, mas, com apoio, esperamos receber um número considerável para o aumento do efetivo.

JM - Existe uma expectativa de que dos 1.080 investigadores a serem formados, cerca de 50 a 70% devem ficar na capital, sendo o restante distribuído às outras cidades do Estado... Quantos agentes o senhor espera receber para o 5º DPC-MG, que conta com 30 cidades?
HA -
Pelas contas que foram feitas aqui, com pessimismo, cerca de 20 investigadores. Mas quero ser otimista e acredito que vamos receber um número mais alto de agentes e vamos distribuí-los dentro dos departamentos de acordo com a necessidade de cada um.

JM - O senhor tem um bom relacionamento entre políticos... Pretende usar este prestígio para trazer benefícios para a Polícia Civil em Uberaba, agora que é chefe de departamento?
HA -
Vou sim. Sempre usei a política para ajudar a polícia. Fiz isso em toda minha vida. Hoje estamos com apoio de três deputados federais – Marcos Montes, Adelmo e Aelton Freitas –, que já se disponibilizaram em ajudar com emendas para estruturar a Polícia Civil. Também temos o apoio do deputado estadual Tony Carlos, que também vai ajudar, inclusive com gestões para que possamos terminar a reforma do prédio da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil (1ª DRPC), no Parque das Américas. E, assim que terminarmos a obra, vamos ter condições de melhorar o atendimento à sociedade.

"O cidadão tem que ter alguém para atendê-lo e bem, e o Estado tem que ter gente para isso; e nós, na parte de segurança pública, representamos o Estado, temos que atender bem"

JM - O senhor pretende fazer mudanças nos comandos das delegacias regionais?
HA -
Os cargos de delegados regionais são de confiança do governo. Tanto que, se quiser mudar algum, vão me informar. Porém, na minha gestão, sou um homem de trabalho, portanto, exijo que também trabalhem. Assim, em relação a quem estiver trabalhando, não vou discutir e nem colocar à disposição, mas se não tiver a contento, vou, sim, conversar com a chefia para discutirmos mudanças.

JM - O senhor já passou por diversas modalidades de plantões na Polícia Civil, assim, o que pretende modificar no sistema existente em Uberaba?
HA -
Primeiro devemos arrumar uma equipe de delegados fixos para os plantões. Desta forma devemos evitar que os delegados entrem no plantão e amanhã a delegacia dele fique fechada pelo fato de estar de folga. Delegacia tem que estar aberta o tempo todo. Tem que ter gente para atender a população. Por isto estou conversando para diminuir o efetivo de policiais civis dentro das Aisps. Deixar o número mínimo para atendimento aos procedimentos com autoria conhecida e criar uma estrutura de combate ao crime organizado para atuar em homicídios e latrocínios dentro de uma estrutura só. Assim teremos sempre delegados para atender. A pior coisa do mundo é o cidadão procurar a autoridade policial e não conseguir. O cidadão tem que ter alguém para atendê-lo e bem. O Estado tem que ter gente para isso. E nós, na parte de segurança pública, representamos o Estado, temos que atender bem.

JM - Hoje existe a Delegacia de Homicídios em Uberaba, mas faltam pessoal e estrutura, e o número de assassinatos vem crescendo muito... O que o senhor pretende fazer para diminuir esse tipo de crime?
HA -
O homicídio é uma coisa complicada de diminuir, principalmente quando não está relacionado a outro crime. Quando está relacionado ao tráfico de drogas, por exemplo, ainda se consegue inibir colocando o traficante na cadeia, embora hoje tenhamos uma “pena de morte” instituída no Brasil em favor dos bandidos. Afinal, eles matam quem eles querem e quando querem e a cadeia não está sendo obstáculo para isso. O criminoso vai para a cadeia e de lá ele fica coordenando por celulares. Não podemos admitir que não exista uma forma de bloquear esses sinais de telefonia e internet dentro dos presídios e penitenciárias. Isso tem que acabar. As operadoras têm que dar uma alternativa ao Estado para fazer isso. Precisamos de um sistema mais avançado. Com isto diminuiria esses crimes de morte com relação ao tráfico de drogas, que representa uma grande porcentagem deles. Já com relação aos demais, como passionais, ou aqueles em momento de brigas, com uso de bebida alcoólica, esses a polícia não tem como evitar. É difícil a polícia saber o que está ocorrendo nas casas. Algumas mulheres não relatam as agressões que vêm sofrendo por medo. Disseram-me que as denúncias vão aumentar porque acreditam em mim, porém, tenho colocado que não vou fazer milagre, mas precisamos de apoio em todos os sentidos. Temos uma equipe de delegados, investigadores, peritos e escrivães muito boa em Uberaba e região. Sou responsável por várias cidades do Triângulo Mineiro e precisamos usar bem o material humano, que é pouco, mas teremos que saber usar.

"Disseram-me que as denúncias vão aumentar porque acreditam em mim, porém, tenho colocado que não vou fazer milagre, mas precisamos de apoio em todos os sentidos”

JM - No ano passado foram registrados 82 homicídios, sendo que 46 vítimas tinham passagens pelas polícias ou sistema prisional. Este ano já foram registrados 13 homicídios e um latrocínio, sendo que dos 13 assassinados, 12 tinham registros policiais... O que está acontecendo? O senhor acredita em grupo de extermínio?
HA -
Não acredito em grupo de extermínio, mas sim na ordem dos traficantes, que determinam: o “fulano” tem que matar o “cicrano” porque não me pagou. Temos que arrumar uma forma de evitar. O policiamento preventivo é da Polícia Militar, porém ela não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo, porque também tem um número deficitário em seu contingente. Tudo isso precisa de ação. A questão do tráfico de drogas é muito difícil de combater. A forma que tem é colocar na cadeia, com documento bem feito, para que o juiz e o promotor possam mantê-los na cadeia. Já estamos conversando em Belo Horizonte a fim de montar uma delegacia especializada em combate ao tráfico de drogas para tentar diminuir esse crime e, assim, também as mortes relacionadas às drogas.

JM - O senhor é tido como um delegado operacional e hoje ocupa um cargo administrativo... Pretende estar à frente das operações que estão por vir?
HA -
Todas, onde tiver. Já falei com o delegado regional de Uberaba, Francisco Eduardo Gouveia, nós temos que ser otimistas, e se for necessário trabalhar como investigadores, vamos trabalhar.

JM - Como chefe do 5º Departamento de Polícia Civil, que engloba 30 cidades, sendo Uberaba a maior delas, quais as prioridades para o município?
HA -
A nossa responsabilidade é maior aqui porque a gente nota que Uberaba é a que está com mais problemas, apesar de termos as sedes das regionais em Araxá, Iturama e Frutal, porém estão sendo bem administradas. Vou discutir com o delegado regional quanto ao que é necessário fazer para melhorar. Sei que tem que melhorar.

JM - Teoricamente, as polícias Civil, Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Guarda Municipal são integrados, mas na prática sabemos que não é bem assim... O que o senhor pretende fazer?
HA -
Conversar com eles e buscar esse agrupamento, essa integração bem mais forte. Temos o novo comando da Polícia Militar, coronel Eliel, uma pessoa espetacular, e também o Wellington Cardoso no comando da Guarda Municipal, que é meu amigo e conhece a questão da segurança pública também, e nós vamos buscar esse apoio, pode ter certeza que vamos tentar usar o máximo essa aproximação um do outro.

"Hoje temos uma ‘pena de morte’ instituída no Brasil em favor dos bandidos, afinal, eles matam quem querem e quando querem e a cadeia não está sendo obstáculo para isso; o criminoso vai para a cadeia e de lá ele fica coordenando por celulares”

JM - Sabemos que cada delegado tem mais de 1.500 inquéritos para presidir... O senhor tem um projeto para fazer com que o delegado fique menos burocrático e mais operacional?
HA -
A intenção é colocar as Aisps cuidando dos inquéritos com autoria conhecida. Assim, é só intimar, ouvir e desenvolver o procedimento rápido. E com os de autoria desconhecida vamos tentar criar uma estrutura, com mais delegados, mais escrivães e investigadores. Se tivéssemos mais escrivães, conseguiríamos “digerir” esses inquéritos. O problema maior não é o delegado, é o escrivão, pois é humanamente impossível ele dar conta de mais de mil inquéritos. Nem se for só para pedir diligências e prazos não daria conta.

JM - O senhor pretende levar a Guarda Municipal para dentro da Polícia Civil para somar forças?
HA -
Sim. Já vinha conversando isso com o prefeito e com o Wellington Cardoso há tempos. Se não tivermos a participação da Guarda, fica sem condições colocarmos os investigadores nas ruas. Os guardas municipais vão nos ajudar nas lavraturas de ocorrências, fazer uma intimação e isso vai nos ajudar muito.

JM - A nomeação do senhor foi anunciada por políticos, ganhando até uma apresentação no gabinete do prefeito... Trata-se de uma aliança política em torno da segurança pública?
HA -
Sempre me foi colocado pelo prefeito de Uberaba que era um projeto de segurança pública de Uberaba, que é comandada por ele. Essa questão política foi dita no gabinete do prefeito e dito por ele: o cargo é técnico, mas a indicação, além de técnica, é política. É claro que não vamos indicar politicamente uma pessoa que não tenha competência para realizar o trabalho. Estamos apostando que as coisas vão melhorar pela confiança e credibilidade. Estamos aqui para isso, a questão é muito política hoje. Mas graças a isso tivemos apoio de muitos deputados que não iam ao gabinete do prefeito há tempos e foram à minha posse, hipotecaram apoio e disseram que querem ajudar. Não adianta querermos fugir da questão política, pois pode nos ajudar muito. Como a imprensa ajuda também. Sempre trabalhei com a imprensa me ajudando, até mesmo nas investigações. Vamos usar a política para melhorar a questão policial, pode ter certeza disso!

JM - O senhor concorda que, na maioria das vezes, atrás de um problema policial sempre há um problema social?
HA -
Sim. E quem mexe na parte social é a política. É inadmissível que o adolescente não possa trabalhar. Essa questão de que é trabalho escravo tem que ser fiscalizada, temos que analisar a condição de trabalho do adolescente. Eu comecei a trabalhar com 12 anos de idade. O menino começa a namorar com essa idade. Ele sai com a namorada e não tem dinheiro. Os pais não dão conta de sustentá-lo. Isso precisa ser analisado. Quando da Lei do Desarmamento, teve uma pesquisa elaborada pela revista Veja, que trouxe 10 itens para melhorar a questão da violência no país. Os dois primeiros são ensino profissionalizante e esporte e lazer. Problemas sociais que acabam desaguando na polícia, pois o menino não pode trabalhar, fica em casa ocioso. A mãe e o pai não estão lá para fazê-lo estudar e então ele fica na internet ou vai para a rua, o que é pior, pois lá está aprendendo coisas piores ainda.

"O Ministério Público precisa nos ajudar, assim como o Judiciário tomar as decisões rápidas"

JM - O senhor tem uma boa imagem, principalmente como policial... Diante da expectativa gerada em torno de sua nomeação, não teme que ela seja atingida diante de uma possível frustração dos planos?
HA -
Claro que tenho. Tenho conversado muito em casa. Será que estou entrando numa fria? Vou ter meu nome queimado? Mas acredito que as pessoas de bem vão saber que, pelo menos, estou tentando. Vou tentar. Ninguém precisa esperar milagre de um delegado que está chegando. O que podem esperar é que vou trabalhar muito. Se for preciso, vou para a rua, pular muro e prender bandido. Pode acontecer de não dar conta e as pessoas ficarem decepcionadas? Claro que pode. Mas espero contar com a compreensão de toda a sociedade. Nós precisamos é unir os policiais e fazer com que eles trabalhem. Esse nome que adquiri não foi trabalhando sozinho. Você mesmo acompanhou: eu tinha Gonzaga, Eliene, Ismar, Jairo, Guesa, Soninha e outros. Era um grupo de pessoas dispostas a tudo para resolver os crimes e eu coordenava isso. Coloquei essa união no grupo e todo mundo aceitou. E é o que vamos colocar agora para nossos colegas. Não existe forma de vencer uma guerra sozinho.

JM - As polícias de um modo geral reclamam muito da legislação brasileira, que tem penas muito brandas para criminosos... O que pode comentar quanto a essa questão?
HA -
Penso igual à população. Infelizmente, cada dia que passa, cada lei que sai do forno é para beneficiar os bandidos. O crime de furto, por exemplo, se for simples, é afiançável. A polícia tem um valor para arbitrar essa fiança, tem que ser equivalente ao poder econômico do autor e equivalente ao objeto furtado. Vou discutir com os colegas para colocar o máximo. Em Araxá, num crime de receptação, arbitrei fiança de R$50 mil. O autor pagou e não ficou preso, mas pelo menos teve prejuízo financeiro. Vamos dificultar ao máximo.

JM - Além de operacional, sabemos que o senhor tem boa influência com o Judiciário, isso pode ajudar no combate à criminalidade? Pretende atuar com promotores de Justiça e juízes de Direito? 
HA -
Não existe forma de combater a criminalidade sem o Ministério Público e o Judiciário. O Ministério Público precisa nos ajudar, assim como o Judiciário tomar as decisões rápidas. Em um crime de desaparecimento, por exemplo, precisamos de uma investigação que depende do Judiciário. Se demorar dois dias, perdemos o objetivo. Precisamos das decisões urgentes. Vamos conversar com o Judiciário, fizemos isso em Araxá e foi uma parceria fantástica. Vou fazer visitas a todos e buscar essa parceria.

JM - Para terminar, o senhor tem um sonho de assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, tanto que já foi candidato por duas vezes... Pretende ser candidato a deputado estadual em 2018?
HA -
Não. Hoje vamos só nos preocupar com a questão da segurança pública. Não vou disputar agora. O político tem a hora em que ele entra, mas não tem a hora em que sai. Espero que eu tenha saído. Não tenho pretensão alguma de mexer com política. Estou aqui para ajudar na segurança. Recusei cargos políticos importantes ultimamente para assumir esse cargo que tanto esperei. Não vou mudar. Acho que as pessoas gostam muito mais de mim como policial do que como político. Vou trabalhar com afinco para ajudar essa cidade. Minha família está aqui. Estou com uma região muito grande, mas onde estiverem precisando de mim, eu vou. Vou contar com a população: se precisar fazer alguma denúncia, pode me ligar! A fonte será preservada e isso vai nos ajudar a resolver a criminalidade.







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