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ENTREVISTA
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ENTREVISTA
06/09/2015

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NETO TALMELI

 

Pioneiro no atendimento clínico veterinário, Eduardo Vilela Mendes fala sobre a profissão e os avanços da medicina veterinária

 

Filho de fazendeiros, Eduardo Vilela Mendes nasceu e cresceu perto dos animais. Talvez essa tradição tão próxima dos bichos tenha despertado seu interesse em se tornar médico veterinário. Há quase 40 anos, Eduardo montou a Clínica Veterinária Uberaba, pioneira no atendimento clínico veterinário na cidade. Em comemoração ao Dia do Médico Veterinário, na próxima quarta-feira (9), o especialista fala com exclusividade ao Jornal da Manhã sobre a carreira e abre o jogo sobre as condições da sua profissão atualmente.  

Jornal da Manhã – Como os uberabenses receberam a clínica, sendo a pioneira no segmento?
Eduardo Mendes –
Inicialmente, com muita curiosidade. Algumas pessoas achavam um absurdo pagar consulta para um cão. Mas, mesmo assim, atendia a todas as espécies de animais. Com o passar dos anos, a forma de pensar dos uberabenses fez com que eles mudassem de atitude. Atualmente, a grande maioria das famílias trata seus animais de estimação como membros do clã, com todo amor e carinho dedicados da mesma forma.  

JM – Qual foi a maior dificuldade em conseguir manter uma clínica veterinária com poucos recursos tecnológicos?
EM –
Na época não havia exames de laboratório, como raios X e ultrassom, para os animais. Era preciso fazer uma anamnese detalhada juntamente com o proprietário, além do exame clínico tradicional, para cuidar com precisão dos casos que chegavam até o consultório. Sempre priorizei o atendimento clínico com riqueza de detalhes. Nos casos mais complexos, recorria aos meus professores da Universidade Federal de Minas Gerais para orientação.  

JM – Demorou muito tempo para que outros médicos também abrissem novas clínicas na cidade?
EM –
Após dois anos de funcionamento da Clínica Veterinária Uberaba, outros seis profissionais da área montaram uma nova clínica, em sociedade. Com o passar do tempo, os sócios foram se desligando do consultório, um por um. A partir daí que surgiram mais e mais clínicas, porque cada um que saía montava a sua própria clínica veterinária. 

JM – Qual sua opinião sobre a medicina veterinária hoje?
EM –
A medicina veterinária é um campo profissional muito bonito. Sem dúvidas, foi por meio da tecnologia que os atendimentos melhoraram. Há inúmeros recursos tecnológicos que facilitam o diagnóstico e aperfeiçoam as pesquisas da área. Em contrapartida, existem médicos que não colocam a mão no animal. Alguns profissionais pedem, antes de tudo, um exame de urina, fezes e radiologia, fazer isso é fácil. Acredito que esse não é o procedimento mais adequado, o correto. É necessário partir de um exame clínico bem feito para saber pedir um exame adequado. Primeiramente, o veterinário precisa ser honesto com ele e com o paciente, não fazer da profissão um meio de negócio. 

JM – Nesse sentido, qual a dica que o senhor tem para dar àqueles que sonham com a profissão?
EM –
Recebo muitas pessoas que vêm com seus filhos para falar sobre a profissão e ver se é essa que ele deseja para o futuro. O que eu percebo é que o primeiro interesse é em saber se a profissão dá muito dinheiro. Acredito que este não seja o caminho. Se a pessoa gostar da carreira e se dedicar para ser um bom veterinário, o dinheiro vem automaticamente. É claro que se ela seguir contrariada, não será um bom profissional e não irá ganhar dinheiro. Mas isso não é exclusivo da medicina veterinária, acontece em toda profissão. Quantas pessoas nós conhecemos que começam em determinados cursos, chegam a fazer um, dois ou até quatro anos e depois encerram porque percebem que não era aquilo que elas gostavam? Na minha visão, a pessoa precisa pensar, analisar e ver qual o caminho mais a atrai. O próximo passo é se orientar para realmente fazer aquilo que gosta. Quando a gente faz o que gosta, nós somos bons profissionais. Sendo bons profissionais, fica muito mais fácil ganhar dinheiro. No caso da medicina, salvar vidas e proporcionar bem-estar é a nossa função, por isso todo trabalho realizado com amor e carinho é recompensado. 

JM – O que o senhor acha dessa relação cada vez mais próxima entre os seres humanos e os animais, principalmente os domésticos? É uma inclusão saudável?
EM –
Antigamente as pessoas criticavam mais essa afinidade. Hoje está tão comum esse relacionamento, que aquele casal que antes censurava, agora possui um cachorrinho dormindo no canto da sua cama. O amor entre as pessoas está cada vez mais difícil, por isso elas procuram suprir essa falta no animal, tanto com o cachorro quanto com o gato. Isso é falta de carinho e, espiritualmente falando, a gente tem um relacionamento cada vez mais similar. Há aquelas pessoas que oferecem ao animal a comida da própria boca, mas nós nunca recomendamos isso. Apesar de a pessoa manter uma relação mais próxima com o seu bichinho de estimação, essa não é uma atitude higiênica. Eu tenho dois netos e fico bobo ao ver como eles são vivos, espertos, ativos. Essa evolução não é exclusividade das crianças, os animais também nascem cada vez mais evoluídos. Conheço uma pessoa que tem uma gata que adora andar de carro. Quando a dona não leva, ela entra na bolsa só para poder andar de carro. Isso é uma troca, tanto a pessoa recebe o amor do animal quanto ele oferece. O animal gosta de quem gosta dele. 

JM – Cães e gatos são companheiros leais e responsáveis por muitas alegrias aos humanos, mas também podem trazer riscos... Quais doenças que podemos adquirir dos animais domésticos e quais os atendimentos mais comuns hoje?
EM –
Podemos citar uma verminose, gripe, sarna, micoses, intoxicação alimentar, carrapato, conjuntivite, leptospirose e, no caso dos gatos, a doença de arranhadura e mordida. Eu citei doenças que podem ser transmitidas pelos cães e gatos. Os riscos são variados, por isso é extremamente necessário o cuidado para que seu animal esteja sempre sadio, vacinado, para ajudar no relacionamento. Não se pode, por exemplo, pegar um cachorro da rua, não oferecer nenhum tratamento adequado, e já ir levando-o para dormir com você. Se eu te falar que isso não deve ser feito, muita gente vai ficar com raiva de mim. Eu digo que é preciso cuidar do animal adequadamente, para que não haja esse risco de adquirir nenhuma dessas doenças. Os atendimentos mais comuns são casos de pneumonia, intoxicação, problemas renais, cardíacos, traumatismo, entre outros.  

JM – Como o senhor citou, a doença do carrapato também oferece riscos aos animais e aos humanos...
EM –
As doenças transmitidas aos cães por meio dos carrapatos podem causar danos gravíssimos à saúde do animal e até levá-lo a óbito. O parasita se aloja na pele do cão e se alimenta do seu sangue. Das doenças do carrapato, somente a babesiose normalmente se apresenta em animais de lugares onde não existiam carrapatos. A anaplasmose surgiu nos anos 90 e ultimamente tem sido apresentada com muita frequência. Dificilmente ela aparece em gato, mas pode pegar na gente. Há pouco tempo visitei uma pessoa cuja casa estava infestada de carrapatos e ela não admitia que retirassem os cachorros para combater a doença. E para piorar a situação, a dona estava toda chupada de carrapato. Isso é um perigo. É preciso realizar um tratamento adequado com indicação de medicamentos e a melhor maneira para administrar o remédio. Hoje existe um comprimido que combate o carrapato e você dá para o animal uma vez por mês, a mesma coisa acontece com a pulga. Antigamente, só havia aqueles remédios que são colocados na nuca do cão, mas hoje existem medicamentos bem mais eficazes, como o que protege o animal dos carrapatos por até quatro meses. Alguns remédios são mais caros, mas são bem mais eficazes. É importante deixar claro que todas estas doenças têm cura se diagnosticadas e tratadas corretamente. 

JM – E com relação aos atendimentos de doenças virais?
EM –
A doença viral mais comum e mais antiga é a cinomose, que ataca o animal lentamente. A cinomose inicialmente indica aumento na “remela” nos olhos, secreção no nariz, problemas pulmonares, depois atinge o sistema nervoso, dá paralisia, convulsão. Então, ela vai degradando o animal gradativamente. Mesmo você tratando na hora certa, há casos em que o animal não sara. E quando sara, se já tiver atingido o sistema nervoso, esse tique é irreversível. Já a parvovirose é uma doença que aparentemente é mais grave, mas pode salvar sem deixar nenhuma sequela. A parvovirose surgiu nos anos 80. O primeiro caso que atendi foi o de uma cadela que veio de Belo Horizonte, não existia vacina na época, os laboratórios aconselhavam medicar com vacina de panleucopenia felina. Quase dois anos depois deste caso é que os laboratórios liberaram as vacinas para os cães.  

JM – Como funciona o tratamento para essas doenças?
EM –
Hoje temos a ajuda da tecnologia, com exames laboratoriais, raios X e ultrassom, o que torna mais fácil e preciso o diagnóstico. Está surgindo um novo tratamento com medicação via oral que a gente espera que melhore. Tenho quatro cães em atendimento nesse novo modelo de tratamento, que funciona da seguinte maneira: você faz a receita, manda para Uberlândia e eles manipulam. 

JM – O senhor acredita que a internet atrapalha os atendimentos?
EM –
A internet hoje é nosso grande concorrente. É difícil falar que a rede está errada, porque não está, mas existem muitas informações ali que não devem ser seguidas. Se você procurou determinado remédio na internet, vá até um veterinário que seja da sua confiança para confirmar se o medicamento será eficaz para a sua necessidade. Em alguns casos, a gente passa uma receita e a pessoa procura na internet e vem contestar a minha receita porque acha que o que está na rede é o verdadeiro. A internet também me ajuda, me orienta, porque tem muita coisa boa lá dentro. Mas, temos que ter cuidado porque nem tudo que está ali é verdadeiro. 

JM – Qual a opinião do senhor sobre o trabalho voluntário realizado em Uberaba e a castração dos animais, na tentativa de diminuir o aumento de cães e gatos nas ruas da cidade?
EM –
O que mais existe em Uberaba hoje são voluntários que cuidam com carinho e amor dos animais. O trabalho realizado é muito bonito, inclusive os próprios voluntários procuram recursos, às vezes retiram do próprio dinheiro para castrá-los. Os uberabenses gostam demais dos animais. Eu atendo muitos voluntários e cobro um preço simbólico para incentivar mais esse trabalho tão bonito. Eu sou a favor da castração se a pessoa não quer que haja a reprodução. Geralmente, a cadela pequena entra no ciclo a partir dos seis ou sete meses e a cadela grande, a partir dos nove meses. 

JM – Doutor, estamos com o clima extremamente seco e sofremos com as altas temperaturas, e a mesma coisa acontece com o animal... Quais são os cuidados que devemos ter com o nosso bichinho nesta época do ano?
EM –
Como acontece conosco, o próprio organismo do animal exige que ele beba mais água e se hidrate mais. Às vezes o dono revela que o cachorro está bebendo bastante água, mas não tem que se preocupar, isso é um bom sinal. Existem doenças mais comuns nesta época como a gripe e problemas respiratórios. São cuidados básicos, como evitar sair ao sol quente com o animal; há pessoas que caminham com o animal e o asfalto está tão quente, que esfola até a patinha dele. É necessário também deixar o bichinho em local bem ventilado. O cachorro não transpira, ele saliva, então, quando ele está salivando muito, pode hidratá-lo mais.  

JM – Na próxima quarta-feira (9) será comemorado o Dia do Médico Veterinário... O que o senhor tem a dizer aos colegas de profissão?
EM –
Em comemoração à semana do médico veterinário, digo aos colegas que faço o pedido para que o nosso amado Mestre os abençoe no exercício desta linda profissão! Que o Mestre lhes dê paz, amor, inspiração e lealdade para que continuem exercendo com dignidade nossa querida profissão!







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