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ENTREVISTA
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ENTREVISTA
04/10/2015

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Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o prefeito Paulo Piau falou de sua gestão, do modelo do seu governo, do momento de crise e rechaçou antecipar o período eleitoral. Piau ressaltou que o trabalho é mais importante. Também falou de obras, do BRT e deixou transparecer que ainda pensa em implantar viadutos na cidade e da relação entre Prefeitura e governo do Estado na questão do gasoduto.  

Jornal da Manhã - O ex-prefeito, em entrevista ao JM, teceu críticas ao governo, o senhor gostaria de se manifestar?
Paulo Piau -
Olha, cada um com os seus problemas. O Adauto cuida dos problemas dele com a Justiça – e que não são poucos – e eu cuido de Uberaba. Não vou antecipar a campanha política, não é isso que Uberaba precisa, nem é isso que o povo quer. Temos ainda muita coisa que trabalhar, que fazer, que consertar, que crescer, mas algumas pessoas preferem outro verbo, o “politicar”. A história não se reescreve por conveniência política. Não vou entrar nesse jogo, temos muito trabalho a fazer.  

JM - A PMU publicou a licitação dos novos eixos do BRT... O senhor acredita em nova polêmica?
PP -
De forma alguma. Deixaram um projeto de BRT sem dinheiro, sem segurança, sem estudo de impacto e que todos viram o que causou. Nós vamos fazer o nosso BRT de acordo com as peculiaridades de Uberaba, pensando no usuário do transporte coletivo, no trânsito e também no comércio. Esse eu posso ser cobrado porque vai ser totalmente diferente do que herdei. O importante é evoluir com respeito e conforto ao usuário do transporte coletivo, ajudar o comércio e não atrapalhar o trânsito. Nosso projeto é diferente, aprendemos com os erros. Não se pode desrespeitar as características de cada cidade por isso, estamos preparando algo inovador que vai melhorar muito o transporte público sem atrapalhar a vida das pessoas que não o utilizam.  

JM - E o Hospital Regional?
PP -
É a mesma coisa. Chegaram a inaugurar um hospital com duas salas de enfermaria e que a maca não passava pela porta porque era mais larga que a entrada. Ou seja, essa é a política provinciana, inaugurar na época de eleições um cenário e não a realidade. Nós estamos fazendo com seriedade, investindo recursos que não havia e preparando o hospital para ser eficiente. Uberaba investiu sozinha até agora cerca de R$20 milhões para um hospital que vai atender 27 municípios. Não é justo, por isso precisamos resolver a questão do custeio para abrir de verdade o hospital que a nossa gente tanto precisa. Sobre o hospital, eu vou entregar uma obra de verdade, e não um teatro cuja maca não passava pela porta.  

JM - E a ZPE (Zona de Processamento de Exportação)?
PP -
A ZPE é outra coisa mal explicada. Foi um programa lançado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e que o governo passado pegou o caminho errado. Licitaram uma coisa que não precisava de licitação e o processo deu deserto. O nosso governo achou o caminho certo e hoje a ZPE está protocolarmente viabilizada, ou seja, mais um erro que consertamos.  

JM - O senhor reclamou muito da gestão da Prefeitura... Considera que já houve avanços?
PP -
Temos uma auditoria e o estudo da Fundação Getulio Vargas que deixa claro como era a gestão da Prefeitura. Basta ver os estudos. Um caos. Uma das grandes coisas que estamos fazendo aqui é consertar a gestão dessa Casa. Muita burocracia e pouco controle. A Prefeitura atrapalhava a vida das pessoas e isso é inadmissível. Melhoramos muito, mas ainda temos muito a melhorar. Não se conserta anos de desmando, de Lei Delegada, de “eu faço o que eu quero para quem eu quero”, em apenas três anos. Mas estamos no caminho certo. Recebemos R$300 milhões em dívidas, os professores com salários defasados, os servidores arrasados, muitos ganhando menos do que o salário mínimo, a cidade suja, obras paradas, uma epidemia histórica de dengue que matou pessoas por ter no fim de 2012 tirado os agentes das ruas, e fomos consertando a Casa. Um exemplo é o concurso público que estamos fazendo para 1.200 vagas para todas as secretarias.  

JM - Como a sua gestão está enfrentando a crise?
PP -
Nós estamos enfrentando uma crise e mesmo assim fechamos em 2014 na melhor posição da história de Uberaba na geração de empregos. Estamos cortando despesas na carne, mas mesmo assim fizemos o plano de carreira dos professores, dos servidores, do Ipserv, resgatamos a autoestima dessas pessoas tão massacradas. Vamos abrir o maior concurso público da história de Uberaba, vamos entregar 15 novas escolas em apenas um mandato, mais de 11 mil casas, somos destaque na educação, na cultura, o esporte voltou a ser importante em Uberaba, estamos atraindo empresas como nunca na história da cidade. Sabia que o servidor designado, ou do processo seletivo, corresponde a quase 50% da Prefeitura? Isso é um absurdo. Com isso o nosso gasto com o INSS é de 22%, sendo que com o concurso vamos contratar melhor, dentro da lei, e pagar 11% para o Ipserv. Vai gerar uma economia enorme, que fortalece o Ipserv e que possibilita melhorar a vida do professor, dos servidores. Ou seja, esse é o modelo de gestão do bonzinho [risos], dando resultados, tendo respeito com os recursos públicos e principalmente com as pessoas. Na minha vivência, aprendi que na política você pode escolher dois caminhos, o da riqueza ou o da preservação do nome. Eu optei por preservar o meu nome.  

JM - Modelos diferentes de gestão, diferentes governos atrapalham a Prefeitura?
PP -
Seria ideal se houvesse um planejamento independente de governos. É o que queremos tentar com o U+20, um projeto para pensar Uberaba para os próximos 20 anos sem prejuízos de governo, um projeto da comunidade e que os gestores serão obrigados a cumprir. Acredito que todo mundo que passa pela Prefeitura deixa a sua contribuição. Uns exaltam mais do que os outros, supervalorizam. Eu conheço os avanços de Uberaba no período de ouro em que o dinheiro não faltava. Assim como quero que reconheçam os avanços da nossa gestão que, em plena recessão, consegue fazer a cidade crescer e se desenvolver mesmo sem dinheiro. Nós estamos cortando na carne, economizando em tempos difíceis. O JM publicou o corte de 50% dos gastos, sem prejuízo para a educação e para a saúde. Mesmo assim, estamos avançando. Um exemplo pequeno de gestão eficiente e séria, mas muito significativa, é o kit escolar. A minha gestão conseguiu melhorar o kit para os nossos alunos, oferecendo mais coisas, com melhor qualidade e o preço bem menor. Mágica? Não, seriedade, planejamento. Conseguimos fazer os viadutos que queremos? Ainda não, mas vamos fazer porque a cidade precisa. Já lançamos o edital para construir o da Padre Eddie Bernardes e vêm mais novidades por aí.  

JM - O senhor pode revelar?
PP -
Ainda não [risos], mas afirmo que são novidades boas. Dependem ainda de alguns fatores, mas acredito que podemos em breve anunciar.  

JM - E o gasoduto? Como o senhor tem tratado essa questão?
PP -
O governo federal prometeu o que cumpriu e iniciou a obra. Por problemas que todos nós sabemos, crise econômica, crise política e moral envolvendo a Petrobras, a obra foi paralisada. Mas já se iniciou, ou seja, já foram feitos investimentos aqui de R$1 bi. Mas o gás vindo de São Carlos, Ribeirão, ou mesmo de Minas não importa, o importante é que o gás chegue. Ao contrário do que tem sido dito, temos a plena confiança no governo de Minas, no governador Pimentel, que essa questão está sendo tratada com toda a urgência e seriedade que ela merece. Essa semana os jornais divulgaram a nossa agenda e esforço junto ao BNDES, ou seja, estamos atuando diretamente no processo, na busca de um parceiro privado. A fábrica de Uberaba é mineira, não apenas de Uberaba, e tenho certeza que será realidade. Confiamos no governador. Sendo a alternativa por um parceiro privado, ótimo, já estamos trabalhando também nessa direção. Estamos todos no mesmo barco e, portanto, não é hora de dividir e sim de somar.  

JM - Na eleição municipal passada, um tema bem debatido foi o abastecimento de água... O senhor acredita que o tema voltará a ser tão forte na próxima?
PP -
A questão da água é outro exemplo de gestão. Sabe por que eles não consertavam a contento os vazamentos da rede? Porque não aparecia, está debaixo da terra e, portanto, não dava voto. Eu tive coragem de fazer e Uberaba já não sofre com a falta d’água. Precisamos de mais? Claro, só isso não vai resolver, por isso vamos quebrar um tabu de 200 anos e vamos fazer a represa para armazenar água que irá abastecer a cidade em época de seca. Nós estamos ampliando em 50%, isso mesmo, metade da rede de água em Uberaba. Nesta segunda-feira vamos inaugurar a grande adutora diagonal. Uma obra que amplia a capacidade de abastecimento de Uberaba e beneficia mais de 70 bairros. Isso é gestão planejada e séria. Pra mim não importa se aparece, se dá voto ou não, importa somente o que é preciso fazer, mesmo tendo o custo político. Prefiro pagar o preço e prestar serviço de verdade, colocar água na torneira da dona de casa, a me preocupar se vai aparecer ou não, o que importa é o resultado. Claro que é provável que o tema volte e recheado de ideias mirabolantes, como na eleição passada, mas nós fizemos a lição de casa.  

JM - Como o senhor define a sua administração?
PP -
Um governo que avança com segurança, seriedade, com os pés no chão, com transparência, sem clientelismo, sem arrogância, na conversa, no jeito e não na força bruta. As pessoas são diferentes, respeitar essas diferenças é o princípio do que chamamos de humanidade. Uberaba tem hoje um governo que faz o que precisa ser feito. Temos nossos erros? Claro que temos, ninguém é perfeito, mas trabalhamos todos os dias querendo acertar, ouvindo as pessoas, sendo humildes em voltar atrás quando achamos que uma decisão não foi boa. Isso pra mim é gestão de verdade, é diálogo. Eu não governo pra mim, eu não me mudo para Uberaba quando me convém, eu vivo aqui, eu sinto na pele os erros e os acertos do que faço e não fujo da raia. Como disse antes, avançamos em todas as áreas, educação, na atração de empresas, na cultura, no esporte, estamos avançando na saúde, é um compromisso meu. Vamos abrir a Unidade da Família, no bairro Abadia, mesmo em crise não atrasamos salários, melhoramos a vida dos servidores, resgatamos os professores, ou seja, estamos caminhando, consertando o que precisa ser consertado e avançando. Veja o que estamos fazendo em Peirópolis, quebrando mais um tabu com o calçamento que entregamos hoje, e agora em seguida o asfalto, o poço artesiano. Quinze escolas em um mandato e tantas outras reformadas não é para qualquer um. Cento e cinquenta empresas ampliadas ou conquistadas em um mandato é muito significativo. Portanto, tenho um único objetivo, ser melhor para Uberaba e não para mim ou para alguém ou para um grupo específico, mas para a comunidade. Faço “mea-culpa” quando erro, sou contido quando acerto, porque essa é a minha personalidade. Não gosto de arrogância, sou firme sem ser mal educado. Tenho três mandatos de deputado estadual e dois de deputado federal construídos assim. Recebo todo mundo, converso com todos e estou sempre aberto para quem tiver alguma coisa que possa contribuir para Uberaba e totalmente fechado para quem olha apenas para o umbigo, para si mesmo em detrimento de nossa cidade. Se alguém entende que é hora de atacar, paciência, pra mim é tempo de construir, essa é a diferença do nosso governo. Não damos conta de fazer tudo, seria o ideal, mas infelizmente não é possível, mas estamos fazendo o que precisa ser feito com respeito e seriedade e isso é o mais importante.







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