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ENTREVISTA
04/06/2017

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Mário Campos acabou de ser reeleito por um período de mais três anos à frente da Siamig, entidade que representa o setor sucroenergético de Minas Gerais, um dos mais importantes do Estado na produção de energia renovável, o etanol e a bioeletricidade. Nessa entrevista, ele fala dos avanços tecnológicos, ambientais e os desafios do setor.

Jornal da Manhã - Durante muitas décadas, a queima da cana-de-açúcar foi apontada como uma das principais vilãs da poluição ambiental no planeta... Até que ponto o segmento conseguiu reverter essa má fama? 
Mário Campos -
O uso do fogo para queima da palha da cana, possibilitando o corte manual, era um ponto negativo na agroindústria canavieira, era ruim para o meio ambiente e para as comunidades que viviam em torno das áreas canavieiras. Contudo, a mudança para o sistema de mecanização da colheita não foi fácil. Além dos investimentos em maquinário e treinamento de pessoas, ainda estamos na curva de aprendizado, melhorando a operação, mas ainda sofrendo as consequências, como a redução de produtividade, aumento de pragas e doenças na cana e redução do teor de sacarose. O maior ganho foi para o meio ambiente, já que a eliminação da queima evitou a emissão de 7,5 milhões de toneladas de gases do efeito estufa de 2008 a 2016. 

JM - A tecnologia tem sido boa aliada da cultura da cana? Em quais frentes são mais perceptíveis os benefícios da tecnologia? No combate às pragas da lavoura? Na produtividade? Na mecanização da lavoura? 
MC -
A tecnologia tem revolucionado o agronegócio brasileiro em diversas frentes. A evolução da produção de açúcar e etanol por hectare de cana plantada é extraordinária quando comparamos os números atuais com aqueles da década de 70. Contudo, nos últimos anos tivemos pouca evolução, não que novas tecnologias não tivessem sido incorporadas pelo setor, mas porque os impactos positivos foram compensados pelos negativos. Como isso não é sustentável e o setor precisa voltar a trajetória de aumento de produtividade, diria que estamos passando por uma revolução nas áreas de cana do Brasil atualmente. As empresas hoje já possuem um conhecimento apurado das variedades de cana mais adaptadas às suas áreas, estão cada vez mais otimizando o plantio e a colheita da cana, reduzindo falhas e perdas. O uso de tecnologias embarcadas em colhedoras e caminhões promete tornar a operação mais eficaz e a utilização de carretas de cana produzidas com material mais leve e resistente promete reduzir os custos associados ao transporte. No campo da pesquisa, vimos nos últimos anos o lançamento da MPB (mudas pré-brotadas), do desenvolvimento da “semente de cana” e da cana geneticamente modificada, que promete atacar pragas e doenças da planta.  

JM - Como pilar da economia brasileira, em especial do Triângulo Mineiro, qual é o atual cenário do setor canavieiro no país? Até que ponto as crises política e econômica afetam o segmento, tanto na produção de açúcar quanto álcool? 
MC -
Podemos dizer que o setor passa por um momento de ajuste, após anos de grandes prejuízos. Hoje, o Estado tem um mercado de etanol do tamanho de sua produção e somos uma grande plataforma de exportação de açúcar e produção de bioeletricidade, a energia elétrica do bagaço de cana. É claro que a crise econômica brasileira nos afeta. Praticamente metade do nosso faturamento depende do mercado interno, seja nos combustíveis, no setor de alimentos ou na venda de energia. Mas estamos acreditando na recuperação no país, no cenário de reformas, principalmente a trabalhista, na presença de uma taxa de inflação civilizada e na redução das taxas de juros. Acreditamos em um 2018 melhor, com a retomada do crescimento. E nossa agroindústria conseguiu fazer o dever de casa, corrigir erros que foram cometidos e estamos, sim, preparados para crescer novamente. Contudo, a próxima onda de crescimento se dará principalmente via produtividade. Nossa meta é chegar aos três dígitos, alcançando 100 toneladas de cana por hectare, sendo que hoje estamos na média abaixo de 80. 

JM - É possível afirmar que atualmente os carros movidos a etanol são economicamente vantajosos para os proprietários dos veículos? Por quê?
MC -
O consumidor brasileiro obteve uma conquista nos últimos anos com o carro flex. Antigamente, ele escolhia o combustível no momento em que comprava o veículo, hoje essa escolha ocorre no momento do abastecimento. Não há isso em nenhum lugar do mundo, e a avaliação das consequências desta escolha precisa ser mais ampla. Não podemos ficar apenas na simples conta da relação de preços. Todas as fontes de energia são importantes, mas precisamos incentivar as fontes renováveis, menos poluentes e geradoras de emprego e renda. Pegamos o exemplo de Uberaba, quando um cidadão abastece o seu veículo com etanol, está ao mesmo tempo ajudando o meio ambiente e movimentando toda uma cadeia que gera emprego e renda ao redor da cidade. Como não vemos isso na gasolina, eu acredito que a existência do carro flex é, sem dúvida nenhuma, um benefício para toda a sociedade brasileira. 

JM - A legislação ambiental impõe uma série de restrições ao plantio, corte, transporte de produtos agrícolas de modo geral... Na cadeia produtiva da cana, quais os maiores impactos do rigor legal hoje em dia? 
MC -
Todo o conjunto ambiental foi talvez o tema em que mais concentramos esforços nos últimos anos. O marco legal, que até foi aprimorado recentemente, levou a grandes mudanças nos setores produtivos, e onde há mudança há conflito. Mas, acredito que o setor sucroenergético já superou esse tema, hoje temos convicção do nosso papel na construção de um mundo mais sustentável. A legislação evoluiu muito com a aprovação do novo código florestal brasileiro e sua lei correlata em Minas Gerais, e estamos caminhando para aprimorar ainda mais. Nossa luta atual é contra a morosidade na análise dos pleitos por parte do governo, mas pelo menos há um esforço governamental para reduzir as filas e desburocratizar os processos.  

JM - Até que ponto a indústria sucroalcooleira pode alavancar mais investimentos internos e externos para o país, de modo a fortalecer o nosso agronegócio? 
MC -
O setor sucroenergético é produtor de energia, seja para o ser humano, com o açúcar, seja para os veículos, com etanol, e a energia elétrica, com a bioeletricidade. Estrategicamente, este setor possui uma importância muito grande, principalmente pelo fato de produzir uma energia renovável e limpa e ser grande gerador de emprego e renda, promovendo o desenvolvimento regional econômico. O Brasil assinou o acordo climático de Paris em 2015, aquele mesmo do qual, infelizmente, os EUA acabam de sair, uma decisão inacreditável do presidente Donald Trump. Nós consideramos a busca por um mundo mais sustentável um caminho sem volta e temos convicção de que temos um setor preparado para ser, junto com o Brasil, protagonistas deste novo momento. Assim, acreditamos no crescimento do setor nos próximos anos. Ancorados na evolução de um mundo com menores emissões, temos produtos que se encaixam neste momento e que ainda podem ajudar o Brasil a reduzir a grande conta do desemprego que aflige tantos cidadãos. Em dezembro, o governo brasileiro lançou o RenovaBio, um programa que visa a incentivar a produção e uso de biocombustíveis no país, induzindo a maior eficiência e a descarbornização da matriz de transporte no Brasil. 

JM - Por fim, qual o trabalho que o Brasil precisa fazer para impulsionar as exportações dos principais produtos da indústria sucroalcooleira, assim como para popularizar o uso do álcool combustível além das fronteiras brasileiras? 
MC -
O governo brasileiro lançou a Plataforma Biofuturo no dia 16 de novembro do ano passado, durante a Conferência do Clima (COP22), realizada na cidade de Marrakech, no Marrocos. Essa iniciativa pretende acelerar o desenvolvimento e expansão dos biocombustíveis de baixo carbono, como o etanol. Alguns países do Mercosul já estão tomando iniciativas neste sentido, como a Argentina, que aumentou o percentual de etanol na gasolina, além de este bloco poder ser usado para negociações com outros mercados. Existem, também, muitos países produtores de cana-de-açúcar que também podem produzir etanol e ampliar seu consumo. No caso do açúcar, é importante, também, utilizar a plataforma do Mercosul para inserir o produto em outros mercados, já que as importações são muito taxadas por fazer parte da cesta básica de muitos países.







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