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ENTREVISTA
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ENTREVISTA
02/05/2016

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Francis Prado/ABCZ


Luiz Cláudio Paranhos, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu,
diz que não há esvaziamento político na ExpoZebu

 

“Em 2015, voltamos a crescer 0,65%. Em 2016, nos três primeiros meses do ano, tivemos um crescimento de 10,74% em relação ao ano passado”

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) inaugurou neste fim de semana a 82ª ExpoZebu, com o tema “Zebu: genética capaz de mudar”. Prevista para ocorrer até 7 de maio, a exposição reúne criadores, técnicos e demais interessados em mostrar o ganho real proporcionado pelo uso de um touro zebu, devidamente provado, em um plantel e o quanto o pecuarista economiza e efetivamente lucra com o uso da genética zebuína melhoradora.
Na entrevista de hoje do Jornal da Manhã, o presidente da ABCZ, Luiz Cláudio Paranhos, avalia o cenário econômico nacional e internacional e ainda fala das novidades da feira deste ano, entre outros temas.

Jornal da Manhã - Estudo da Embrapa indica que a produção de carne bovina brasileira cresceu 45% em 15 anos. E o faturamento do setor em estabelecimentos rurais já representa aumento em relação a 2015. Qual o segredo para o setor não ser afetado pela crise econômica?

Luiz Cláudio Paranhos -
Afirmar que o setor não é afetado pela crise seria uma inverdade. O pecuarista brasileiro sofre não só com a crise econômica, mas também com outras adversidades que atrapalham a atividade diariamente, como a ultrapassada estrutura logística do país, a falta de investimentos em sanidade e extensão rural, escassez de mão de obra qualificada, entre tantos outros problemas. Sabemos que eventuais ciclos de alta ou de baixa acontecem em todos os negócios. Mas a pecuária não está livre dos reflexos da crise. Temos como exemplo o volume de registros genealógicos feitos pela ABCZ. Tivemos um pico, sendo o maior volume de registro dos 82 anos de história da ABCZ em 2012. Em seguida, tivemos dois anos seguidos de queda, ao redor de 10% ao ano em 2013 e novamente em 2014, motivados, principalmente, pela forte crise econômica e, em algumas regiões, também por problemas de seca. Em 2015, voltamos a crescer 0,65%. Em 2016, nos três primeiros meses do ano, tivemos um crescimento de 10,74% em relação ao ano passado. Acredito que o crescimento da produção de carne e, consequentemente, da pecuária, se deve ao fato de o pecuarista estar cada vez mais profissionalizado e ciente da necessidade de investir em genética, manejo e nutrição animal. Atenta à necessidade de levar conhecimento ao pecuarista para produzir alimento de melhor qualidade e com maior lucratividade, a ABCZ lançou durante a abertura da ExpoZebu o projeto Equação da Pecuária Eficiente, que está baseado no tripé básico da produção animal: saúde, nutrição e genética, e contará com três fases, todas elas gratuitas para os criadores participantes. A primeira fase é um diagnóstico, no qual o pecuarista poderá identificar em qual estágio está o seu sistema produtivo e sua produtividade. A segunda fase do projeto é de compreensão desse diagnóstico, cuja análise qualitativa será feita por um corpo técnico, formado por especialistas em cada um dos temas. A terceira fase é a capacitação e educação dirigida desse pecuarista com especialistas renomados em cada uma das três áreas para suprir as deficiências de conhecimento técnico do negócio. A 3ª fase do projeto engloba a realização de vários cursos sobre os temas estratégicos. O primeiro curso será realizado gratuitamente durante a ExpoGenética 2016, no dia 23 de agosto.


JM
- Em virtude do momento político e econômico que vive o País, qual a expectativa para a 82ª ExpoZebu?

Paranhos
- O momento político é realmente muito delicado. Todas as atenções estão voltadas para as definições do Congresso Nacional. Mas o país não pode parar, a pecuária não pode parar. A ABCZ está trabalhando para novamente fazer uma grande ExpoZebu, mostrando essencialmente o que a genética zebuína fez e faz para a evolução desta atividade que tanto contribui para o nosso país. A agenda de leilões e shopping se mantém firme com remates consagrados e esperados durante o ano todo. Apesar da crise, as empresas também estão com boas expectativas de negócios, especialmente, na ExpoZebu Dinâmica, que este ano contará com a participação de 28 marcas do Agronegócio. Temos certeza que esta edição será de muito sucesso.

“O que pode refletir negativamente para o setor é esse impasse político que chega a constranger certas autoridades que preferem o recolhimento ao diálogo. Nós, não”


JM -
A ExpoZebu sempre foi um momento de encontro e debates com presidentes, ministros, governadores e parlamentares, sobre a principal pauta da pecuária. A ausência de autoridades nas últimas aberturas da principal feira realizada pela ABCZ é causada apenas pelo momento político? Como o senhor vê a questão?

Paranhos -
Não há esvaziamento. Pelo contrário, a ExpoZebu continua sendo bastante prestigiada pelas autoridades políticas brasileiras. É óbvio que o comparecimento das autoridades especificamente na abertura oficial está ligado a uma série de fatores, que não cabem justificativa da ABCZ e sim dos próprios parlamentares. O que importa é que a ABCZ, entidade apartidária, está sempre aberta para receber e ouvir nossos representantes sobre a pecuária. A ABCZ tem um relacionamento excelente com todas as esferas de governo seja federal, estadual ou municipal, especialmente, com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Frente Parlamentar da Agropecuária (composta por inúmeros deputados e senadores), e esse relacionamento institucional e político, não se restringe à ExpoZebu. O relacionamento é mantido durante todo o ano. Não é à toa que investimos na ampliação da representatividade política da ABCZ. Participamos ativamente, ao lado de outras entidades da pecuária e do agronegócio brasileiro, de inúmeras ações em todo o país. Por conta desta expansão da nossa atuação, fomos convidados a assumir a presidência da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, importante fórum de discussões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A Câmara é um dos principais canais de interlocução entre o setor privado e o governo. Exercer a presidência da Câmara reafirma a ABCZ como uma entidade do mais alto nível em termos de relacionamento com as demais entidades e com o governo. Este trabalho político em defesa dos interesses da pecuária nacional também gerou reconhecimento na CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) onde temos nosso diretor Antônio Pitangui de Salvo como atual presidente da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte. A ABCZ tem hoje em Brasília uma assessoria de relações governamentais para orientar e defender os direitos dos produtores, em conjunto com a presidência, diretoria e conselheiros. Atuamos junto à Frente Parlamentar do Agronegócio, do Instituto Pensar Agro e na articulação com outras entidades na defesa dos produtores rurais. Estamos lutando, juntamente com outras entidades, para defender o novo Código Florestal no Supremo Tribunal Federal, nas ações que tentam derrubar os avanços conseguidos pelo Brasil.


JM -
Isso pode refletir negativamente no setor?

Paranhos -
O que pode refletir negativamente no setor é esse impasse político que chega a constranger certas autoridades que preferem o recolhimento ao diálogo. Nós, não. Estamos aqui sempre prontos e disponíveis para debater durante todo o ano e em diversos fóruns diferentes os rumos da nossa pecuária. Como dito anteriormente, se engana quem pensa que a ExpoZebu é o único canal de relacionamento da ABCZ com nossos representantes políticos.


JM -
Como a ABCZ encara esse processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a possibilidade de Michel Temer assumir?

Paranhos -
A ABCZ, estatutariamente, não pode se manifestar sobre o assunto.


JM -
A ausência de atrações culturais, a transformação em uma feira eminentemente técnica e a realização de leilões virtuais, tem afastado o público local e externo do evento. Além disso, a realização da feira deixou de movimentar economicamente a cidade, como antigamente. Como o senhor vê a questão?

Paranhos
- A definição pela retirada dos shows da ExpoZebu se deu por diversos motivos: alto custo das produções artísticas, queda do público, reclamações da população do entorno, especialmente em relação ao barulho, etc. A retirada dos shows, no entanto, não significou o fim das atrações da ExpoZebu. Além dos bares e parque de diversões, a ABCZ tem procurado promover uma série de atrações diferenciadas, como, por exemplo, a Vitrine da Carne e neste ano a Vitrine do Leite, que leva conhecimento a adultos e crianças sobre culinária. Outro ponto importante de ser esclarecido: realizar shows e atrações culturais não é a missão da ABCZ. A missão da ABCZ é contribuir para o aumento sustentável da produção mundial de carne e leite, através do registro genealógico, melhoramento genético e promoção das raças zebuínas. Por isso, estamos investindo em atrações de conteúdo, que agregarão a população de Uberaba e os visitantes de outras localidades. Já quanto a realização de leilões virtuais, esta é uma prática cada vez mais comum por parte dos pecuaristas, com o objetivo de otimizar a venda de animais de uma maneira menos onerosa, mais rápida e direta.


JM -
Antigamente, as famílias levavam as crianças para conhecer os grandes zebuínos, hoje isso quase não ocorre porque o evento praticamente se fechou para os técnicos. É possível que nossos netos, que não sejam diretamente ligados ao setor, um dia se esqueçam que Uberaba é a terra do Zebu?

Paranhos -
As famílias e crianças estão cada vez mais presentes no Parque Fernando Costa, já que com o fim dos shows, a entrada no Parque passou a ser gratuita. Hoje a ExpoZebu é ainda mais democrática e aberta. Fazemos questão de aproximar a população, especialmente as crianças. Justamente por isso, temos o projeto “Zebu na Escola” realizado há mais de uma década pelo Museu do Zebu em parceria com a ABCZ e que apenas durante a ExpoZebu deve trazer ao parque Fernando Costa mais de 5 mil crianças e adolescentes. Além disso, em nossa gestão, a ABCZ desenvolveu jogos educativos na internet voltados para crianças, o Zebu Games, que levam o conhecimento sobre o zebu e a pecuária não só às crianças de Uberaba, mas do país e do mundo. No primeiro ano, os jogos tiveram mais de 10 milhões de acessos. Aproveitando a oportunidade, gostaria de convidar a população para visitar a ExpoZebu. Além da Vitrine da Carne e do Leite, como já citado, entre as novidades deste ano teremos a realização de provas de cavalos crioulos que são uma bela atração para a população e que aproxima os uberabenses de suas raízes rurais.

JM - A ABCZ tem planos de retomar a realização de shows na Estância Orestes Prata Tibery Júnior? Quando?

Paranhos -
Recentemente, a ABCZ investiu em um Plano Diretor para a Estância Orestes Prata Tibery Jr, com o objetivo de planejar o futuro daquela área. Caberá às próximas diretorias definir se a ABCZ investirá em shows ou em eventos de interesse de seus associados.


JM - Como andam os preparativos para a eleição da diretoria da ABCZ para o próximo triênio?

Paranhos -
A primeira ação referente à eleição ocorreu no dia 15 de abril, com a publicação do Edital de convocação da Assembleia Geral Ordinária para Eleição da Diretoria e dos Conselhos Consultivo e Fiscal, para o triênio agosto de 2016 a agosto de 2019. A publicação do edital representa a abertura do período de inscrição de chapas que irão concorrer, além de dar conhecimento aos associados sobre a data da Assembleia. A ABCZ, assim como nas demais eleições da entidade, tratará o pleito com ética, lisura, seriedade e transparência. E manterá os associados e a comunidade informados de eventuais decisões que afetam a entidade.

“O momento político é realmente muito delicado. Todas as atenções estão voltadas para as definições do Congresso Nacional. Mas o país não pode parar, a pecuária não pode parar”


JM -
Este é seu último ano como presidente da Associação, que balanço o senhor faz da sua gestão?

Paranhos - O balanço é extremamente positivo. Graças aos colegas diretores e aos nossos colaboradores conseguimos fazer uma gestão bem-sucedida e com excelente avaliação por parte dos associados. O serviço de registro apresentou excelentes resultados do ponto de vista da qualidade dos atendimentos, conforme evidenciam 30.651 avaliações recebidas ao longo dos três anos da atual gestão. A provação dos serviços por parte dos criadores bateu recorde em 2015, chegando a 97,58% de satisfação com os serviços de campo e 97,08% dos serviços da sede e escritórios. Revolucionamos o Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas, com a contratação de cientistas, softwares e montagem de estrutura própria de pesquisa e desenvolvimento para dar apoio aos nossos técnicos e associados. Investimos na equipe técnica, extremamente profissional, treinada, motivada e com recursos tecnológicos para contribuir cada vez mais com uma pecuária moderna e competitiva. Criamos uma estrutura comercial para o PMGZ, com supervisores nas principais regiões do País e ações estratégicas de marketing e vendas. O PMGZ tem crescido de forma espetacular, ano a ano. De 2012 a 2015, o crescimento no número de criadores foi de 92,72%. O número de matrizes aumentou 70,8%. Somos o maior e melhor programa de melhoramento genético de raças zebuínas do mundo. A ABCZ realizou em todo o Brasil mais de 500 eventos nos últimos três anos. Em sua quase totalidade, ações gratuitas para os criadores e pecuaristas em geral, contribuindo para a inovação, difusão de novas tecnologias e qualificação de pessoal. Fortalecemos a ExpoGenética e a ExpoZebu Dinâmica; praticamente dobramos a quantidade de empresas que fazem parte do Brazilian Cattle (e as exportações do projeto tiveram um crescimento de 70,7% no primeiro bimestre de 2015, em relação a 2014); aumentamos os recursos destinados ao Pró-Genética e estamos prestes a atingir a marca de 50 mil doses de sêmen distribuídas gratuitamente através do Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (PNAT).

“Não há esvaziamento. Pelo contrário, a ExpoZebu continua sendo bastante prestigiada pelas autoridades políticas brasileiras. [...] O que importa é que a ABCZ, entidade apartidária, está sempre aberta para receber e ouvir nossos representantes sobre a pecuária”







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