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25/06/2018

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Mário Campos não acredita em qualquer tipo de redução do preço para a gasolina e o etanol por parte do governo

A paralisação nacional dos caminhoneiros, que durou 11 dias, afetou grande parte dos atendimentos mais básicos à população, como saúde, educação e consumo, como resultado do desabastecimento de combustíveis e transportes em todo o país. Motivado pelo alto preço do diesel, o movimento também gerou impactos negativos ao setor produtivo. Durante os protestos que fecharam inúmeras rodovias, usinas de Minas Gerais deixaram de vender etanol e tiveram dificuldades para transportar açúcar, conforme a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig). No entanto, segundo o economista Mário Ferreira Campos Filho, presidente da Siamig, do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado e do Sindicato da Indústria do Açúcar de Minas Gerais, as medidas adotadas pelo governo federal para conter o movimento também poderão gerar prejuízos à cadeia produtiva. Confira a análise desses reflexos, na entrevista concedida por Mário Campos ao Jornal da Manhã.

Jornal da Manhã - Até que ponto a paralisação dos caminhoneiros interferiu ou ainda vai continuar interferindo na produção do etanol em Minas Gerais?
Mário Ferreira Campos Filho - As usinas dependem de uma série de insumos para o processo produtivo, que passaram a não ser entregues durante a paralisação, principalmente óleo diesel para as colhedoras de cana e caminhões de transporte da matéria-prima. Com isso, das 34 usinas produtoras no Estado, 15 ficaram completamente paradas e outras tiveram seu ritmo de moagem reduzido, o que prejudicou de forma significativa a produção do setor no Estado. Além disso, desde o início das paralisações, toda a operação de vendas, de etanol e açúcar, também ficou parada, prejudicando de forma significativa a receita das unidades do setor. A partir de 30 de maio, grande parte das empresas já conseguiu retomar as operações regulares e, atualmente, todas já estão operando normalmente. A preocupação, além da retomada da produção, era de restabelecer o abastecimento do mercado, entendendo que o setor era parte da solução para que a sociedade retomasse sua vida normal. Além do etanol hidratado, o setor comercializa etanol anidro misturado à gasolina e durante toda a paralisação dos caminhoneiros, o sistema de abastecimento de combustíveis foi muito afetado.

JM - A redução de R$0,46 no preço do diesel, concedida pelo governo, pode ser estendida a outros combustíveis, como gasolina e etanol?
Mário Campos - Desde o início da paralisação dos caminhoneiros, observando as demandas colocadas para o governo federal, o setor sabia que, em função da dificuldade fiscal do Brasil, qualquer tipo de redução de impostos no diesel viria com algum tipo de medida que afetaria outros segmentos da nossa economia. O governo realizou a reoneração da folha de pagamento de diversos setores e praticamente acabou com o Reintegra, que autoriza as exportadoras apurar crédito mediante a aplicação de percentual estabelecido em portaria do Ministério de Estado da Fazenda, sobre a receita auferida com a exportação desses bens para o exterior. Isso acabou reduzindo o percentual de 2% sobre o valor exportado para 0,1%, o que irá impactar, de forma significativa, em torno de R$ 70 milhões, o setor em Minas Gerais, já que o Estado é um grande exportador de açúcar. A decisão de praticamente zerar o Reintegra irá prejudicar, extremamente, a competitividade dos produtos brasileiros. Vimos que o “cobertor é curto” e para qualquer tipo de interferência ou redução alguém pagará a conta em outro segmento. Dessa forma, não acredito em qualquer tipo de redução também na gasolina e no etanol.

JM - Qual o peso da carga tributária hoje sobre o preço do etanol? Na sua opinião, quais os tributos que poderiam ser reduzidos pelo governo federal e pelo Estado para baratear o etanol nas bombas?
Mário Campos
 - Para cada litro de etanol vendido nas bombas em Minas Gerais, tem R$0,24 de PIS/Cofins, arrecadação federal, além do ICMS que no Estado é de 16%, a segunda menor alíquota do país, cujo valor atual é de R$0,54. O que dá uma carga tributária de 26%, considerada muito alta. Há uma elevada concentração dos tributos, tanto federais quanto estaduais, no setor de combustíveis, fato histórico que precisa ser rediscutido. A redução da carga geral do país como um todo, passa necessariamente pela redução do gasto público, que remete a uma série de ações sobre o tamanho do Estado dentro da nossa economia.

JM - Muitos produtores se queixam que a renda da cana diminuiu drasticamente este ano, em relação a 2017. Quais os fatores que levaram a essa queda na remuneração dos produtores? Essa retração de mercado decorre da crise econômica que o país atravessa ou há algum outro motivo específico?
Mário Campos 
- O setor sucroenergético possui um sistema de remuneração aos fornecedores de cana, que compartilha tanto os aumentos nos preços do mercado, quanto as reduções. Em 2016 e 2017, o produtor de cana, assim como as indústrias, foram beneficiados pela valorização, principalmente do açúcar, no mercado internacional. Neste ano, porém, o mercado de açúcar não está em um bom momento, em função de um superávit mundial, onde a oferta está superando, em muito,
a demanda, o que deprimiu os preços internacionais do produto. O setor convive hoje com alguns países que historicamente não eram exportadores de açúcar e que, em razão de subsídios, passaram a ter relevância no mercado internacional. Por isso, o preço está mais baixo.

JM - Qual a contribuição dos produtores de açúcar e álcool para melhorar a qualidade de vida dos mineiros? A Siamig tem desenvolvido ações específicas de preservação do meio ambiente?
Mário Campos
 - Primeiro, por representar o modelo agroindustrial, o setor sucroenergético alia a vocação da agricultura do Estado, com agregação de valor da industrialização da cana e geração de milhares de empregos. Da mesma forma, é um setor com alto grau de integração econômica, gerando grandes oportunidades de negócios com outros segmentos. Além disso, o uso de seus produtos, por serem uma das mais importantes fontes de energia limpa e renovável do país, favorece toda a sociedade mineira com a redução dos gases do efeito estufa e a melhoria da saúde pública.

JM - Quais as expectativas em relação às eleições de outubro, tanto em Minas, quanto no país?
Mário Campos -
 O país terá, talvez, as eleições mais incertas e imprevisíveis dos últimos anos. Independentemente de quem ganhar, nosso papel, enquanto representante de um setor da sociedade civil, é mostrar que o país precisa de uma série de reformas que deverão resultar na redução do tamanho do Estado, na equalização da situação fiscal e na melhoria do ambiente de negócios. Qualquer governo, a partir de 2019, também terá que seguir a tendência mundial na busca de uma economia de baixo carbono e, sem dúvida, o setor sucroenergético tem muito a contribuir para o alcance desses objetivos.







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