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ENTREVISTA
30/07/2017

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Após completar seis meses de seu segundo mandato à frente da Prefeitura de Uberaba, Paulo Piau (PMDB) entende que sua administração está no caminho certo, ao vencer desafios e colocar “a casa em dia”, diante da crise econômica que afeta diversos setores do país. Para ele, a diversidade da economia do município e uma postura de austeridade e racionalização de recursos permitem que os níveis de arrecadação sejam mantidos estáveis, o que cria condições de realizar importantes obras, manter o pagamento dos fornecedores e servidores em dia e atender à população. Quanto a medidas para melhorar a arrecadação, o prefeito disse que não pretende aumentar impostos com a atualização da Planta Genérica de Valores Imobiliários e com o georreferenciamento. “Faremos justiça tributária”, afirma.

Na entrevista concedida ao Jornal da Manhã, Piau fala também de política e ratifica apoio àqueles que estiveram com ele no processo eleitoral passado. Ao mesmo tempo, lamenta a situação de divisão do PMDB mineiro e justifica o seu apoio à ex-presidente Dilma, que, para ele, errou na economia e, por isto, sofreu impeachment, ao contrário do atual, Michel Temer, o qual, para o prefeito de Uberaba, está agindo corretamente no campo da economia. Paulo Piau entende que as denúncias contra Temer devem ser apuradas e, se nada for comprovado, é preciso esquecer e “deixar o homem trabalhar”. 

Jornal da Manhã - No primeiro governo sempre houve o discurso de que o senhor assumiu com uma grande dívida a pagar. Passaram-se os primeiros quatro anos. E agora, após seis meses do segundo governo, o senhor já pode falar da sua expectativa quanto a realizações?
Paulo Piau -
Na verdade, assumimos a Prefeitura com dívidas de pequeno, médio e longo prazos em torno de R$300 milhões. Mas, pior que isto, com uma gestão amadora, centralizadora, e isto foi um ponto muito negativo. Mas, avançamos muito no primeiro mandato e vamos avançar ainda mais, deixando a gestão da Prefeitura de Uberaba comparável às melhores do Brasil, com o fluxo que está vindo. No mandato do meu antecessor, a economia crescia a 7,5%. Já no meu mandato a economia decaiu, chegando a crescer apenas 1,5% em 2013, e de lá para cá foi apenas recessão, o que nos afeta. No entanto, Uberaba nunca deixou de crescer, devido à sua diversidade de economia, mas, por exemplo, em 2015 e 2016, a inflação foi maior do que a receita. Ou seja, nosso poder de compra diminuiu significativamente. Obviamente, não se pode comparar um governo que trabalha na recessão a um que trabalhou com crescimento da economia bem relevante. Mas, mesmo assim, fizemos muito e afirmo que fizemos mais com muito menos. 

JM - Apesar da crise econômica do país, Uberaba não apresentou grandes perdas em termos de arrecadação... Quais têm sido os maiores desafios para equilibrar as contas?
PP -
 Uberaba nunca apresentou perda, pois tem economia bastante equilibrada e diversificada na sua pecuária, serviço, indústria, comércio, não tendo monoeconomia. E os municípios com lastro no agronegócio têm sofrido menos com a crise do que os que têm como foco a mineração, por exemplo, que sofrem bem mais. Mas, é claro que a gente espera que haja estabilidade. Em 2017, a economia parou de decrescer e está com crescimento previsto de 0,36%, que é a última estimativa. O que não é nada, mas, em Uberaba, já experimentamos uma receita maior que a inflação nos dados do primeiro semestre. Não dá para fazer grandes obras e feitos, porque a receita é muito pequena, pois estamos com a economia brasileira combalida, e isto nos afeta muito. No ICMS, dependemos da economia do Estado; no caso do FPM, dependemos da economia do Brasil, principalmente do setor industrial, que passa por grande dificuldade e tem decrescido 5% a 6% ao ano. Nós equilibramos a economia do município na base da racionalização, em todos os setores, seja com pessoal, despesa administrativa, veículos, telefones, viagens, tudo dentro da austeridade administrativa. Parece pouco, mas não é. Assim, as contas da Prefeitura e os salários dos servidores estão em dia. 

JM - Medidas como antecipar o recebimento do IPTU, o Refis e um possível georreferenciamento são adotadas com a visão voltada à melhoria da arrecadação? Há outros objetivos a justificar essas medidas?
PP - 
Aqui não se fala em aumento de impostos. Mas, vamos fazer justiça tributária com o georreferenciamento. Temos uma estimativa de que existem, aproximadamente, 25 mil imóveis que não deram entrada na Prefeitura e não estão pagando o IPTU. E isto não é justo com quem paga. Temos casos também de pessoas que moram em lugares que se desvalorizaram e continuam pagando o imposto mais caro, ou mesmo o inverso, há quem pague menos, sendo que a região onde mora teve grande valorização. Acredito que vamos melhorar a arrecadação, sim, mas pela justiça fiscal, não por aumento de impostos. 

JM - A que o senhor atribui os atrasos em obras como o BRT e a avenida Interbairros, cujos recursos já estariam garantidos no governo anterior ao do senhor e até agora os serviços não foram concluídos?
PP - 
Lamento a desinformação e sugiro que venha ver as notas e documentos aqui, na Prefeitura. Pois a Interbairros foi recurso de financiamento conseguido pelo meu governo. Quem pagou a obra do BRT da avenida Leopoldino de Oliveira, bem como o terminal Leste, foi o meu governo [2013/2016], até porque o governo anterior só deixou as estações, que foram de contrapartida da MRV e de emenda parlamentar minha, quando deputado federal, e do deputado Aelton Freitas também, e só isso. Os dois novos eixos foram recursos de financiamento, assim como a Interbairros, sendo que todo processo foi iniciado e conseguido dentro do meu governo, o que inclui aí também o Água Viva da avenida Santos Dumont. Reforço que é necessário conhecer a informação, ver os processos que estão aqui à disposição, não precisa acreditar no prefeito, pegue os documentos! Não teve dinheiro deixado pelo governo anterior, vamos prestar mais atenção às informações! 

JM - Com a exceção do viaduto da Padre Eddie Bernardes, cujo projeto foi gestado em seu governo, as grandes obras que estão em andamento, ou que já foram entregues, foram iniciadas ou projetadas no governo anterior ao do senhor. Qual o senhor acha que será a obra que marcará a sua gestão?
PP -
Quanto ao viaduto da Claricinda, o projeto e a licitação foram do governo do meu antecessor. Mas, como é de conhecimento de todos, tivemos que refazer o projeto, pois estava inexequível. O projeto previa sondagens de oito metros, sendo que eram necessários 25 metros - era fazer a obra e o trem descarrilar. Tivemos que vencer todas as etapas junto à concessionária da ferrovia. Teve, sim, a participação do governo anterior, mas não me venha falar que é o dono da obra, até porque o dono é a população. A gente pega, acrescenta e completa, até porque não vou parar obra de antecessor e prejudicar a população. Mas, tivemos que refazer projetos e buscar recursos, pois, na verdade, não havia nenhum. Como disse antes, os documentos e notas estão aqui para conferir. Mas temos diversas obras importantíssimas. Cito, por exemplo, algo que considero de extrema importância: as 12 escolas novas e a reforma das outras 40 unidades, como, por exemplo, a escola Geni Chaves, que estava interditada pelo Corpo de Bombeiros, e a Frei Eugênio, com muro caindo em cima das crianças, pois foi assim que meu governo pegou as escolas do governo antecessor. Agora, se isso não for uma grande obra, eu não sei o que é, pois deixar escolas prontas para os alunos estudarem é de suma importância. E não é só isso, 100% da contrapartida do Hospital Regional foi paga pelo meu governo [documento está aqui para conferir], o viaduto da Padre Eddie Bernardes – aguardado há mais de 40 anos pela população –, o CIE (Centro de Iniciação ao Esporte), que já está praticamente pronto, a atração de investimentos importantes para a cidade e históricos, como, por exemplo, o maior terminal de transbordo de grãos e açúcar do mundo, a VLi, obra conquistada por esse governo. As melhorias em Peirópolis, como o asfaltamento e calçamento, obras também desejadas há anos por aquela comunidade. Construção de centenas de metros de adutoras de água, reservatórios, entre outras melhorias no abastecimento e saneamento. E tabu quebrado também, por exemplo, com a rua Espanha, rua Inglaterra, entre outros, que são obras simples, mas que a comunidade esperava há 10, 20 anos. Passagem da avenida José Solé, também tabu quebrado. Somando tudo isso, são obras que beneficiaram muito a população. E tem muito mais, como, por exemplo, o maior programa habitacional de Minas Gerais, e só não avançamos mais porque, com a crise, muitas empresas também estão em dificuldade e atrasam, às vezes abandonam o canteiro de obra, até o acerto, sem entrar na Justiça, nova licitação, e isto atrasa alguns projetos. Mas, nós estamos aqui, administrando a crise com muita competência. 

JM - O viaduto da avenida Claricinda foi inaugurado, mas o sistema viário nas imediações ainda precisa passar pelas devidas adequações. Quando isto vai acontecer?
PP -
 Estamos nos preparando para executar esse serviço, visto que esta etapa também não estava prevista no projeto e na licitação inicial. Então, esta obra será outra feita e paga pelo meu governo. 

JM - É preciso falar de política, né? O senhor foi defensor da candidatura de Dilma Rousseff e depois acenou, mesmo que discretamente, favorável ao impeachment da presidente, visto que Temer é do seu partido, o PMDB. Agora vemos o presidente atolado em denúncias... O senhor acha que ele também precisa ir para o sacrifício e sofrer cassação?
PP -
 A presidente Dilma não caiu por causa das pedaladas, mas, sim, por causa da economia. O grupo que estava com a presidente não deu conta dos fundamentos econômicos. O grupo não podia continuar, sob pena de levar o país à bancarrota, quebrar o Brasil. Sou analista e uma pessoa ligada ao setor produtivo, sei analisar a economia. Não me manifestei, achei que naquele momento a melhor opção seria ela, sim, mas, infelizmente, a condução da economia fez com que o Congresso votasse pelo impeachment. No caso do presidente Michel Temer, a situação é diferente. Ele está sabendo conduzir a economia, tanto é que os fundamentos – o valor do dólar – estão estabilizados, a inflação caindo a menos de 4%, fazendo as reformas importantes, como a trabalhista. Ele está indo pelo caminho inverso, ou seja, contrariando o Brasil inteiro (tanto é que sua popularidade é a mais baixa já vista), mas está fazendo o que o país precisa. Agora, no que tange à moral, cabe aos órgãos investigarem, sim, e se tiver culpa, que seja punido. Se não tiver, parem de blablablá e deixem o homem trabalhar! 

JM - Estamos a um ano das eleições para governador e deputados... Qual será o posicionamento do prefeito, visto que seu governo é de coalizão e dele fazem parte pessoas ligadas a Marcos Montes, Aelton Freitas, Tony Carlos e até há aproximação com Antônio Lerin?
PP - 
Vamos ser fiéis àquilo que aconteceu no processo eleitoral anterior, em primeiro lugar. Assim, tenho meu compromisso com o deputado federal Marcos Montes e com o deputado estadual Tony Carlos. O deputado Aelton Freitas foi contrário na eleição passada, mas está ajudando Uberaba, e eu não faria nada para prejudicar alguém que está trabalhando por nossa cidade. O deputado Adelmo Leão está ajudando também, e se estão trabalhando pela cidade, vão ser votados aqui, sim, e merecem. Agora, o que temos que evitar são aqueles que não ajudam Uberaba e querem votos aqui. Temos que mandar estes paraquedistas embora. Que vão caçar votos em outras praças, aqui não! Mas, acredito que novas figuras devem aparecer aqui em Uberaba, e vamos acompanhar isso, pois é importante ter gente nova. E a decisão acontecerá na hora certa. Não somos de ficar em pé em cima de duas canoas. A gente permite que as pessoas avancem se ajudam Uberaba. Mas, somos firmes para acompanhar aqueles candidatos que tenham compromisso com o grupo que hoje está à frente da Prefeitura de Uberaba. 

JM - Como o senhor vê o futuro do PMDB em Minas, visto que o vice-governador [Antônio Andrade] e o presidente da Assembleia [Adalclever Lopes] falam hoje línguas diferentes e até divergentes?
PP -
 Só tenho a lamentar. Tudo que divide enfraquece. Bancada estadual divergindo com a federal, vice-governador com o presidente da Assembleia, isso é um prenúncio de que o partido minguará, é prenúncio. Isso me deixa triste, pois unido já está difícil, dividido é pior ainda. Nosso cacife para participar de uma eleição estadual, federal, fica diminuído, e até para interferir em uma eleição nacional fica difícil. Mas o PMDB é um partido forte, que sobrevive a todas as crises, sendo o partido da governabilidade, e pode renascer até das cinzas, então, vamos aguardar os próximos movimentos. 

JM – Na semana que passou o Jornal da Manhã completou 45 anos de circulação... Para o senhor, qual a importância de a cidade contar com um veículo de comunicação como o JM?
PP -
 O Jornal da Manhã fez 45 anos de luta e muita glória, sendo um instrumento importante dentro da mídia escrita e agora, também, digital e no rádio. Temos uma imprensa livre, a população precisa saber o que acontece em nossa cidade e o Grupo JM faz isso com perfeição. Temos que aplaudir a longevidade deste diário, que tem ajudado efetivamente no desenvolvimento de nosso município por meio da informação, de forma livre, como dita o movimento democrático, e perseverante!







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