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ENTREVISTA
26/03/2017

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No último dia 18, os uberabenses enfrentaram mais uma vez as consequências de uma chuva intensa que gerou evento conhecido da população há muitos anos: a “enchente de São José”. O retorno de um problema antigo, que a população pensava estar resolvido pelos próximos 40 anos, voltou e causou prejuízos significativos em várias partes da cidade, mas também levantou novos debates. O que aconteceu? O projeto Água Viva não está funcionando mais?

Para responder a estas e outras questões, o Jornal da Manhã traz entrevista exclusiva com o engenheiro civil Nagib Galdino Facury, concedida ao programa “JM Acontece”, comandado pelo radialista Klésio Honorato na Rádio JM 95,5 FM, e que também contou com a participação especial da diretora-presidente do Grupo JM, Lídia Prata Ciabotti.

Responsável por várias obras na cidade por meio da Construtora Santa Amélia, Nagib Facury foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Uberaba (Sinduscon), onde atuou de 2007 a 2013. Ele também presidiu o Centro das Indústrias do Vale do Rio Grande (Cigra) e assumiu a presidência da Fiemg Vale do Rio Grande em 2014, onde permaneceu até assumir a Secretaria de Obras este ano, no início do segundo mandato do prefeito Paulo Piau. 

Jornal da Manhã – Uberaba enfrentou um forte temporal que resultou em mais uma enchente... O que aconteceu?
Nagib Galdino Facury –
A empresa que executou o projeto Água Viva coletou dados referentes a tudo que se relacionava às chuvas em Uberaba nos últimos 30 anos, quando foi concebido o projeto, ou seja, no início do ano 2000. Ela juntou todos os dados, como índice pluviométrico, sendo o de maior importância neste caso para dimensionar o canal. Foi feita uma média desses valores e o calculista colocou o índice de segurança entre 30% e 50%, mas nunca é de 100%, caso contrário as obras seriam faraônicas. Nós tivemos um evento com cara de catástrofe, em que choveu em todas as bacias de Uberaba durante 40 minutos. Vimos aí um índice pluviométrico de 76 milímetros e isso é inconcebível em qualquer projeto. Se, lá atrás, um calculista tivesse feito essa conta, esse resultado estaria fora até do extremo do cálculo. Qualquer pessoa que tenha visto imagens da enchente pode imaginar que se tivesse condição de ter até um terceiro canal, que não é esse o caso e não caberia, esse canal também não comportaria as águas, tamanho o volume que caiu naquele momento. Os canais das avenidas Leopoldino de Oliveira, Guilherme Ferreira e Santos Dumont funcionaram em sua carga plena, sem problemas estruturais. O que os cidadãos precisam entender é: imagine aquela chuva sem a execução do segundo canal? Os canais estão em pleno funcionamento desde 2010 e em sete anos nunca tivemos uma chuva desse porte. Falamos em prejuízos e em carros rodando na água pela primeira vez em sete anos. Isso demonstra que o projeto foi bem feito, bem executado e atende à população, mas é difícil prever eventos extremos. 

JM – Após esse temporal, o deputado federal Marcos Montes lembrou que o projeto original, iniciado em seu governo, continha a construção de piscinões. Além disso, há ainda a necessidade de o projeto Água Viva chegar aos bairros mais altos, onde a água das chuvas acaba sendo totalmente direcionada para o centro da cidade. Como o senhor vê essas duas questões?
Nagib –
Nós tivemos um evento atípico, com inundação, inclusive, na avenida Prudente de Morais, o que revelou pontos críticos para pensarmos e revermos. Tivemos problemas no final da rua Vigário Silva, onde a população foi extremamente penalizada. Já elaboramos o projeto que o prefeito determinou e vamos trabalhar para executar uma obra que traga menos transtornos. Então, o prefeito está atento a todos esses problemas. Quanto aos piscinões, fazem parte da concepção do projeto Água Viva, da qual não participei, mas entendo que, em um evento dessa natureza, acredito que nem os piscinões nos ajudariam muito. Em outros momentos, acredito que ajudaria, sim, mas diferentemente do piscinão existente hoje, os piscinões na avenida Santos Dumont e na Guilherme Ferreira seriam obras caríssimas para ser executadas, que teriam de ser feitas na concepção de parques, e neste momento o município não tem condições de executá-los. Mesmo que façam parte do projeto inicial, poderiam, no futuro, ser repensados, mas volto a repetir que são obras caríssimas. 

JM – Ainda a respeito das obras do projeto Água Viva, que continuam ocorrendo em Uberaba, quanto desse projeto resta para ser concluído?
Nagib –
Falta executar 600 metros na avenida Santa Beatriz, até próximo ao shopping. Ou seja, o trecho de onde ela está paralisada - ali na rua Araguari - até o shopping é o que falta para concluir. Ainda não reiniciamos as obras, eventualmente, por conta do excesso de chuvas até o mês de fevereiro. A empresa Integral Engenharia já foi convocada para retornar e só estamos aguardando a data para o reinício do serviço.  

JM – Muitas pessoas ficaram injuriadas de ver placas de asfalto sendo levantadas com a água das chuvas, o que não é comum. Geralmente, quando temos enxurradas e chuvas anormais, como foi a do fim de semana passado, o que acontece é a formação de buracos nas vias e não levantar placas. Disseram que o asfalto estava tão fino que até um menino seria capaz de carregar. Isso é verdade, secretário?
Nagib –
Não é verdade. Inclusive, brinquei com o prefeito que essa é realmente a hora de ver se os empreiteiros estão colocando de três a quatro centímetros de massa asfáltica, conforme determina o projeto de pavimentação. Executamos os canais e fizemos a pavimentação, depois foi feita a pista do BRT/Vetor. À medida que os ônibus vão passando, eles “cortam a pista” e normalmente fica uma trinca, e foi essa trinca, na execução do BRT, que trouxe esse problema. O excesso de água percolou, ou seja, se infiltrou pela trinca e passou por baixo do asfalto, descolando uma placa inteira, porque tinha que dar vazão por algum outro lugar. A base e o serviço estavam muito bem feitos, tanto na execução pós-pavimentação quanto do BRT, o que aconteceu na realidade foi uma fatalidade. 

JM – Secretário, mas pelo menos o que nós vemos na pista exclusiva do BRT, na avenida Leopoldino de Oliveira, é uma frequência absurda do asfalto levantando, arriando ou juntando no canto do meio-fio, e os ônibus sacolejando ao passar por estes pontos. Como podemos explicar que aquilo foi bem feito?
Nagib –
Na verdade, não acompanhei a execução deste BRT, estamos acompanhando o novo BRT, onde procuramos sanar esse tipo de problema. Para isso, estamos executando um concreto antes da pavimentação para que isso não aconteça. Em alguns locais da Leopoldino de Oliveira temos excesso de umidade, que está trazendo problemas e precisa ser resolvido pontualmente, às vezes até com drenagem. Já estamos fazendo o estudo para conseguirmos resolver o problema da Leopoldino, e o que esperamos, na Guilherme Ferreira, Nelson Freire e avenida da Saudade, é que isso efetivamente não aconteça. Estamos trabalhando e temos o acompanhamento de laboratório especializado para esse novo percurso do BRT. Especialmente na Leopoldino de Oliveira, estamos tratando de uma área que era uma APP (Área de Preservação Permanente) cheia de umidade, tanto é que, ao passarmos em frente do Instituto de Engenharia e Arquitetura, é possível ver a água constantemente na pista. Já foram feitas correções, antes da minha gestão, e a base tem que ser refeita em outros lugares.  

JM – E por falar em BRT, o que vemos são pouquíssimos funcionários trabalhando na avenida da Saudade, Santana Borges ou na Guilherme Ferreira... A obra dos dois braços desse projeto vai acabar até junho?
Nagib –
Vai acabar. É da vontade do prefeito e temos trabalhado para isso No fim do ano houve o entendimento entre os comerciantes e os lojistas para que as obras do BRT fossem paralisadas e acho que isso foi importante. Novembro, dezembro, janeiro e fevereiro são meses extremamente chuvosos, o que traz enormes prejuízos para obras de infraestrutura. O que ficou combinado com o consórcio é que vamos terminar as obras dos terminais e, após a chuva, vamos voltar a executar as pistas, que é o que estamos fazendo. Podemos dizer que os dois terminais estão 98% concluídos e esperamos já entregar em julho para fazer os acabamentos finais. Na Guilherme Ferreira já voltamos a executar as pistas e já começamos a dar o acabamento nas estações, também a partir de agora, na avenida da Saudade. Vamos reiniciar o trabalho e liberar o trecho do Beija-Flor. Já executamos o anel da rotatória da avenida João Dalacqua e vamos voltar à pista da avenida da Saudade para a conclusão do serviço. 

JM – O senhor tem uma previsão sobre quando será concluída a obra do viaduto da Padre Eddie Bernardes, no bairro de Lourdes?
Nagib –
A entrega do viaduto da Padre Eddie está prevista pela empresa para o fim deste mês de março e acredito que, no mais tardar, até o dia 10 de abril a empresa entregue o viaduto efetivamente concluído. A Prefeitura vai assumir o restante da pavimentação, das rotatórias no entorno e a sinalização. Dessa maneira, acredito que há a possibilidade de, até o fim de abril ou começo de maio, inaugurarmos todo o sistema. 

JM – Secretário, além desta, quantas frentes de obras nós temos em Uberaba ligadas à sua pasta?
Nagib –
Temos hoje as vias laterais das BRs 050 e 262, que estamos inclusive, neste momento, executando a passagem inferior no bairro São Cristóvão, em frente do antigo Cascata, que vai atender aos bairros Jardim Maracanã, Recreio dos Bandeirantes e Rio de Janeiro, recém-inaugurado. Ou seja, uma demanda grande de pessoas que não vão mais precisar fazer o trevo das rodovias no Jardim Maracanã, portanto, é uma obra importantíssima que vai ser concluída. Existe ainda uma terceira etapa que estamos pleiteando junto ao governo federal, no Ministério dos Transportes, que é a conclusão da obra na BR-262, na altura do Jardim Anatê, que tem a previsão de receber dois túneis para ser executados na passagem da ferrovia e que vão atender aos moradores do Anatê e do Residencial 2000, bem como a iluminação daquele trecho e uma passarela para quem chega ali na Copervale. Na verdade, são duas passarelas, a outra será antes do pontilhão da VLi. A primeira já está em andamento, que é da competência da concessionária Triunfo Concebra, e a outra está incluída no nosso projeto, que é a terceira etapa de conclusão das vias laterais das rodovias. Esse é um pleito junto ao governo federal e ainda não tem verba prevista e estamos trabalhando para ver se inclui no orçamento para que, no fim deste ano ou no começo do ano que vem, possamos dar andamento. 

JM – Recentemente, o Jornal da Manhã trouxe imagens da quantidade de lixo contida nas grades da avenida Leopoldino de Oliveira e adjacências no centro, justamente por conta da água da chuva que trouxe à tona uma variedade de garrafas pet, sacos de lixo e todo tipo de sujeira. Essa limpeza urbana está sendo bem feita?
Nagib –
Entendo que trafegamos pela cidade e, como cidadão, a impressão é de que a cidade é limpa. Andando pela rua, não vejo a sujeira como a que apareceu naquela imagem, mas é preciso que a população também entenda que o seu terreno, ou seja, de que o entorno de tudo o que compõe as nossas vias, onde efetivamente é feita a limpeza pública, e que é da nossa obrigação que façamos a limpeza. Imagine se toda a sujeira que nós vimos nas imagens canalizar nas bocas de lobo, realmente não vai entrar água. Na verdade, a sujeira não consegue subir pela boca de lobo, pois ela é composta de uma grade que protege a galeria. Aquela sujeira trouxe o que estava no entorno da água, ou seja, veio dos passeios, dos lotes vagos e esse é o nosso problema. A não ser que a grade da boca de lobo seja arrancada, aí sim podemos ter um retorno, mas dificilmente o lixo passa [de dentro para fora], mas o evento foi tão drástico que as tampas de concreto pesadíssimas que ficam ao lado das grades foram arrancadas com o volume da água. [...] Presenciei um fato na rua Vigário Silva, onde o evento foi ruim para a população, pois tinha um televisor preso na boca de lobo. Inexplicável. Essa é uma questão para a qual a população precisa ficar atenta e evitar. 

JM – Secretário, será que talvez este seja um problema de falta de lixeiras na cidade, que faz com que as pessoas, por comodismo, ou falta de orientação, joguem o seu lixo em qualquer lugar? Será que nessa reunião estratégica de segunda e terça-feira não é possível incluir um trabalho de conscientização para respeito e separação do lixo e a colocação de lixeiras em pontos da cidade, principalmente no centro?
Nagib –
Nós vamos levar essa demanda, com certeza, mas o que nós precisamos falar é em eventos dessa natureza, qualquer prejuízo ao bem público, quem paga é o cidadão. […] Estamos falando do mau uso das coisas e parece que as pessoas não têm um cuidado com o que é público. Por isso, digo de novo que o que é público é nosso, somos nós, cidadãos, através dos impostos que pagamos, então, qualquer dano é um prejuízo nosso. Nós todos dividimos a responsabilidade e o ônus de alguém que não cuida bem do seu terreno e do seu lixo. Isso é uma obrigação do povo dessa cidade para que não paguemos pelos serviços duas vezes.







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