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04/01/2018

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 As conversas de parceria entre as fabricantes de avião Embraer e Boeing não envolvem a possibilidade de formação de uma joint venture - modelo em que duas empresas fecham uma sociedade para desenvolver um projeto específico. Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, o formato ainda não está definido, mas as negociações vão em direção a uma estrutura considerada "mais complexa".

As duas companhias trabalham agora para apresentar, nas próximas semanas, ao presidente Michel Temer um esboço de como deverá ser essa parceria, já que o governo federal detém uma ação especial ('golden share') da Embraer que lhe dá direito de veto em decisões importantes. Entre os pontos em debate está a preservação de informações sigilosas da área de defesa e segurança da companhia, responsável pela fabricação de aviões do Exército brasileiro.

Foi justamente a formação de uma joint venture - entre as também fabricantes de aviões Bombardier e Airbus - um dos propulsores das conversas entre Embraer e Boeing. No modelo de negócios fechado entre as concorrentes da Embraer, em outubro, a francesa Airbus comprou 50,01% de participação de um programa da canadense Bombardier para desenvolvimento e fabricação do CSeries, aviões com capacidade para 100 a 150 passageiros.

O formato de acordo estudado pela Embraer e pela Boeing, porém, é de uma integração mais profunda do que essa.

Interesses. A empresa brasileira e a americana trabalham juntas desde 2011 no desenvolvimento de pesquisas e, desde 2016, na comercialização do KC-390, aeronave de transporte militar desenvolvida pela Embraer.

Um dos interesses da Embraer em estreitar essa parceria é a possibilidade de ter todos os seus modelos de aviões negociados pela americana, que tem uma maior força de vendas.

Já a Boeing poderia ganhar ao ampliar sua equipe de engenheiros com os profissionais mais jovens da Embraer - o time da americana tem idade mais avançada, com muitos empregados próximos à aposentadoria.

As companhias poderiam, ainda, ganhar em escala (comprando componentes de aeronaves em maior volume, por exemplo) e reduzir seus riscos ao desenvolverem conjuntamente tecnologias que demandam grandes investimentos, como um avião elétrico. Hoje, as empresas não competem diretamente.

Enquanto a brasileira tem tradição na venda de jatos menores, com até 150 lugares, a americana trabalha com aviões com mais de 160 assentos. Procuradas, elas informaram que não comentam as negociações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.








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